A espera foi um pouco mais longa. Talvez tenha dado para acumular peso, de tão avassalador que Neverending é. Este novo disco dos suecos Monolord tem um título sugestivo, que quase nos faz dá-los como garantidos, a alimentar-nos com algum do melhor doom que se vai fazendo, para sempre. Para a banda, todo este processo é algo relativamente simples, e o baterista Esben Willems orienta-nos sobre o processo, a demora, as escolhas e muito mais.
Finalmente, os nossos arredores foram demolidos pelos vossos riffs com este novo disco, mas este foi o maior período de espera que nos impuseram. O que vos fez demorar mais com o Neverending?
Por vezes, a vida demora um pouco mais. A pandemia afetou-nos a todos, de várias formas. Mas não temos estado a dormir, e este álbum é o resultado disso.

© James Rexroad
Mesmo que seja seguro dizer que tocam doom puro e duro, encontram-se novos elementos a cada novo álbum. Quais dirias que são as principais diferenças entre o Neverending e os discos anteriores?
Os rótulos “doom/stoner/sludge” têm sido maioritariamente usados por outros para descrever o que fazemos, e está tudo bem com isso. Pessoalmente, podem chamar à nossa música “death jazz” ou “tango unicórnio”, se quiserem, desde que possamos fazer a música que queremos, fico feliz. Quanto ao lugar que este álbum ocupa em comparação aos outros, sinto que é uma espécie de cápsula do tempo, como todos os nossos álbuns têm sido. É aqui que estamos agora, é assim que soamos agora. Visto de dentro, não consigo bem apontar diferenças específicas em relação aos outros álbuns, acho que cabe mais ao ouvinte decidir isso.
As letras são mais pessoais no Neverending. Uma abordagem planeada que acharam ideal para este novo álbum, ou calhou ser simplesmente a inspiração do momento? E que temas trazem a estas novas canções?
O Thomas escreveu todas as letras e, desta vez, são de facto algo mais pessoais. Mas mesmo assim, como sempre, deixando-as suficientemente abertas para que o ouvinte faça as canções suas. Sempre tivemos essa abordagem, das letras à arte das capas.
Trabalharam com a lendária Sylvia Massy, conhecida por trabalhos muito diferentes do que é Monolord. O que levou a essa escolha e como foi trabalhar com ela?
Ela já fez uma quantidade incrível de coisas diferentes ao longo dos anos, o lado mais pesado incluído, Melvins e Bigelf, por exemplo. Trabalhar com a Sylvia foi incrível. Foi a primeira vez que me senti totalmente relaxado ao longo de todo o processo de gravação de um álbum; ela fez-nos sentir em casa logo no primeiro segundo em que chegámos. Ouvido impecável, atenção ao detalhe fora do comum, e uma mestria em tomar, constante e quase invisivelmente, aquelas centenas de pequenas decisões que são a chave para construir um álbum que soe bem.

Ainda a falar de novas experiências, trazem o Jörgen Sandström para alguns vocais guturais. O que vos fez querer inserir esse elemento na vossa música e porque escolheram o Jörgen?
Era uma música que o Thomas tinha escrito e que pedia mesmo esse tipo de vocais, e ele achou preferível que fosse um convidado a entregá-los. O Jörgen alinhou imediatamente quando lhe pedimos, e quando enviou os vocais poucos dias depois, caímos todos para o lado. Como um lança-chamas na cara, a presença dele elevou essa canção a algo para o qual eu não estava mesmo nada preparado.
Têm um alinhamento consistente e invejável desde o início. Há algum segredo em particular para isso, e ajuda a escrever um álbum tão forte e confiante?
Somos apenas velhos e agradecidos pelo que temos. (risos) Acho que a nossa teimosia coletiva também tem peso nisso. Sabemos que ter uma banda assim é uma experiência de uma vida, se é que se chega a ter isso.
Existem também menções a influências do rock dos anos 70, a raiz de tudo. Qualquer um pode apontar as vossas referências principais, mas quais diriam ser as mais importantes, e até as mais improváveis?
Não há uma boa resposta para isso, acho. Os três ouvimos uma grande variedade de música, e variedades diferentes. As nossas referências são, muitas vezes, distintas entre si, por isso não há propriamente um conjunto coletivo de referências. Ainda bem, digo eu. Para mim, isso é uma parte da criatividade.
Já têm todas as datas da tour confirmadas (infelizmente, não vos apanhamos em Portugal!) e estão prontos para arrancar. O que podem os fãs esperar, e como encaram a tarefa de levar um disco novo para a estrada, já como uma banda mais experiente?
Fazemos o que fazemos sempre: ensaiamos até nos sangrarem as mãos. Empolgados por vos ver a todos por aí!