Um alinhamento novo, um disco novo, um “Death Knocks” que promete estabelecer as Hoaxed nalguma cena, mesmo que nem tenhamos a certeza absoluta qual. Isso no melhor dos sentidos. Sobre a pressão do segundo álbum, o quão bem se adaptam a novos públicos e o amadurecimento da banda, este power trio feminino de Kat Keo, Kim Coffel e April Dimmick respondem às nossas questões com um entusiasmo contagiante.
O “Death Knocks” é um álbum fantástico e não consegui ouvir qualquer da “pressão do segundo álbum”. Houve alguma?
Boa, adoramos ouvir isso. E honestamente, não. Foi tão bom finalmente ter a April envolvida na escrita e gravação. Divertimo-nos muito a dar corpo a estas ideias e a fazer este álbum juntas. Nós as três temos tocado ao vivo, juntas, nos últimos quatro anos, e dá a sensação de que a April é uma parte tão natural da banda. Foi bom tê-la finalmente nas gravações e oficializá-lo, e trazer os ouvintes para aquilo que temos experienciado ao longo dos últimos quatro anos.
Falam sobre o novo input da April Dimmick na escrita destas canções. Para além das influências musicais, aconteceram outras mudanças nos vossos métodos de escrita de canções?
Assistimos a muitas mudanças ao longo dos últimos três anos entre o “Two Shadows” e o “Death Knocks”, – desde mudar de espaço de ensaio (o ambiente no qual escrevemos as faixas) a andar em tour por toda a América do Norte – definitivamente passámos por muitas novas experiências. Para além disso, ter a April envolvida acrescenta novas perspectivas. Foi muito divertido criar e completar estas canções juntas. E incluir os vocais mais ríspidos… Sentiu-se como algo que nos estava a faltar e foi óptimo poder finalmente colocar essa peça no puzzle.
Nunca têm medo de inserir estilos musicais diferentes no vosso próprio. Alguma vez criaram alguma coisa que sentissem que fosse demasiado fora e já não soasse a Hoaxed?
Pergunta interessante. Definitivamente já abandonámos canções antes quando não gostávamos da direcção que elas estavam a tomar. Gostamos de fazer uma “colheita” dessas peças, ao retirar os bocados que realmente resultam e voltar a trabalhá-los e inseri-los noutra coisa. Para este álbum estávamos bem abertas para quaisquer que fossem as novas influências que surgissem. Portanto não houve algo que realmente se sentisse tão “não Hoaxed” porque estávamos tão abertas à novidade. No final, parece que aterrámos num local bastante “Hoaxed” ao longo das explorações para aquilo que evoluímos.

Muitas pessoas e a imprensa sentem a necessidade de fazer comparações, para orientar. A quem é que já foram comparadas que mais vos tenha lisonjeado, e que comparações já viram com as quais não conseguiram concordar?
Meu deus, é sempre divertido ouvir aquilo a que as pessoas acham que soamos. Nem nós estamos inteiramente certas em relação a quem é que soamos parecidas, portanto é divertido ouvir a opinião dos outros. Já tivemos Siouxsie & the Banshees e Type O Negative – ficamos lisonjeadas com ambas. Também vemos muito as “Hex Girls”. Nós nem sabíamos quem elas eram, antes das Hoaxed, mas entendemos perfeitamente a correlação.
De que falam as letras do “Death Knocks”? Existe alguma temática recorrente?
Usámos o “Death Knocks” para explorar um dos nossos tópicos favoritos: o desconhecido do que se segue. As canções abordam o medo, curiosidade, relutância e aceitação do que acontece na próxima etapa – o que nos espera e o que deixamos para trás. Pudemos aprofundar sobre fortes personagens femininas envoltas em morte e coragem. No geral, o “Death Knocks” tornou-se uma ode àquilo para o qual evoluímos como banda. Ainda estamos a crescer juntas e estamos felicíssimas por partilhar a jornada. É brutal apresentar um tópico e poder vibrar com as pessoas que também têm o fascínio por isso.
A mistura e a produção ficaram a cargo de grandes nomes que já trabalharam com outros grandes nomes, alguns deles de sons mais extremos. Como foi trabalhar com o Gabe Johnston (Falcon Studios) e o Arthur Rizk e o que acham que eles colocaram sobre a mesa?
Estamos super-confortáveis nos Falcon Studios. Esta foi a nossa terceira vez a gravar lá. O som da bateria lá é exactamente aquilo que procuramos. O Arthur foi um acréscimo de surpresa após termos saído do estúdio. Ficámos tão encantadas com o trabalho dele e ele realmente trouxe nova vida a estas canções. Ele entendeu exactamente aquilo que procurávamos e cumpriu. Estamos mesmo muito felizes por ter deixado estas faixas nas suas mãos. Ele fez um trabalho fantástico.
Continuam a fazer parte da família Relapse Records. Como tem sido trabalhar com a editora? Sempre acharam que se encaixavam?
Ainda nos sentimos muito humildes e entusiasmadas por fazer parte da Relapse. São uma editora com tanta história e respeito, e permitem-nos avançar com as nossas visões criativas por completo. Não podíamos pedir melhores parceiros. Nunca nos vimos propriamente a “encaixar” na Relapse – estamos habituadas a ser as ovelhas negras – mas só nos têm feito sentir bem-vindas e apoiadas.
Na estrada, também já fizeram digressão com diferentes actos de muitos estilos diferentes. Como foi? Acham que a vossa música consegue alcançar diferentes públicos?
Adoramos andar em tour e já fizemos estrada com bandas espectaculares. Têm sido todas diferentes de nós, a nível estilístico, mas aproveitamos todas as oportunidades para aprender e crescer. Honestamente, preferimos tocar com bandas que diferem de nós pela oportunidade de fazer algo diferente. A recepção do público tem sido mesmo muito positiva e, enquanto talvez não nos encaixemos perfeitamente no género geral de uma digressão, temos sido respeitadas pelo que apresentamos e temos feito muitos fãs e amigos novos pelo caminho. Nós apenas gostamos de ir para palco e divertir-nos. Música é diversão e partilhar a nossa criatividade com as pessoas é uma das melhores sensações que existe. Assim que subimos ao palco e começamos a conectar-nos com o público, não importa mesmo qual é o estilo, desde que pessoas estejam a sentir. Simplesmente adoramos partilhar a nossa música.
E agora estão prontas para voltar à estrada. Com o que aprenderam e já amadureceram, com o novo alinhamento e as músicas novas, o que esperam dos espectáculos que aí vêm?
SIM! Estamos entusiasmadíssimas por partilhar estas faixas ao vivo. Escrevemos estas canções com actuações ao vivo em mente. São muito divertidas de se tocar, portanto estamos prontas para nos lançar por ai fora. Adoramos fazer tour e mal podemos esperar pelo que vem a seguir. Obrigado pelo tempo e pelas questões!

