Óscares 2018: Previsões de Vencedores

por Bruno Ricardo em 24 Fevereiro, 2019 © www.oscars.com

Comecei a interessar-me pela mecânica dos Óscares nos idos de 2001, mas só a partir de 2005 é que levei mais a sério este jogo de adivinhar nomeados e vencedores. Os Óscares são um bicho que deixa toda a gente estranha: por um lado, chamam nomes, apontam a sua futilidade, classificam-nos de fraude; por outro, querem sempre que o seu filme favorito ganhe, que premeiem a excelência, que sirvam de batuta e baluarte ao que de melhor se faz na Sétima Arte.

Nos meus primeiros anos de prognosticador, tive essa fase. Levei muito a peito os dois Óscares que David Fincher perde em realização e ainda hoje acho incríveis alguns prémios não atribuídos – na mesma escala, que nem “The act  of killing”, nem “The look of silence tenham levado o prémio de documentário para casa é um escândalo maior do que até Francisco J. Marques conseguiria inventar no Twitter. Com o tempo, fui percebendo que os Óscares, tal como qualquer prémio cinematográfico – seja ele a Palma de Ouro de Cannes ou o Escaravelho Boseiro Platinado de Novosibirsk – é subjectivo e envolve toda uma feira de vaidades e vontades que tem pouco a ver com o valo intrínseco das obras em questão. É um jogo de apostas, basicamente, e há algo de divertido e muito americano nisso.

Uma coisa a que me habituei foi a padrões e fórmulas. Todos os que se atrevem a entrar no casino das adivinhações têm as suas e as duas mais comuns, que também me guiam, são as de seguir os prémios percursores da cerimónia principal e perceber bem qual é a narrativa do ano, a mensagem que a Academia quer transmitir, o que os votantes sentem. Em todos os Óscares atribuídos nos últimos trinta anos, o resultado é um cruzamento destas das tendências. No ano passado, por exemplo, “The shape of water” foi o vencedor, até um pouco contra-corrente, porque ganhou o prémio de dois sindicatos (Realizadores e Produtores) e porque o filme considerado de apologia dos negros e o da apologia do papel da Mulher no Cinema se anularam na sua busca pela afirmação política. Também há o pormenor de ser, de facto, um belo filme, mas para vencer os Óscares, a qualidade é mesmo um pormenor. O que conta é o folclore e as campanhas de publicidade, estar nos sítio certo a dizer as coisas correctas.

Isto tem-se tornado mais evidente nas últimas três edições, onde mais do que impressionar ou comover, o filme tem de ofender o menos possível. A era do crítico de rede social está aí e o sururu deve ser evitado. Ora, tendo em conta todos estes factores, a cerimónia deste ano vai marcar em definitivo um ponto de viragem  naqueles que, como eu, se divertem com estes jogos, porque temos, pela primeira vez em quase duas décadas, um resultado verdadeiramente imprevisível. Habitualmente, por esta altura, uma pessoa pega nas reacções e nas distinções já dadas, faz umas estatísticas e surge um consenso. No máximo, há as dúvidas existem entre dois, três filmes, onde um é favorito e o outro a potencial surpresa.

Este ano, tal é impossível. Nenhum filme ganhou mais do que um prémio seja dos sindicatos ou da Academia britânica e alguns foram até atribuídos a filmes que não estão nomeados em certas categorias (os dois prémios do sindicato de guionistas, por exemplo, premiaram ambos filmes esquecidos pelos Óscares). A acrescentar, praticamente todos os favoritos têm umampolémicazinha em maior ou menor grau: Roma vem da Netflix, que não é um estúdio; Green Book mostra o racismo visto pelos brancos e não é factual; Bohemian Rhapsody foi realiazado por alguém suspeito de pedofilia; Black Panther é um filme de super-heróis, um dos últimos bastiões de resistência do purismo cinéfilo; The favourite mostra mulhere sendo horríveis e maquiavélicas. Não há uma única obra que se destaque em maioria de gosto. É o bizarro ano em que não consideramos quem pode ganhar, mas sim quem pode não perder. Estamos em terra desconhecida e olhando para a categoria de Melhor Filme, por exemplo, existem seis, até sete filme com aspirações legítimas de se sagrar vencedores.  Uma loucura.

Perante isto, o que fazer? No meu caso, usar duas regras pessoais. A primeira é que, em caso de dúvida, o principal árbitro será o meu gosto. Ou seja, optarei pelo filme que mais me agradou neste ano. Em segundo, usar o critério que considero mais fiável, e aqui vou usar o prémio do sindicato de realizadores. Ainda que nem sempre tenha havido correspondência com o Oscar de Melhor Filme, o certo é que arranja sempre maneira de premiá-lo de maneira indirecta, mesmo quando o seu realizador não foi nomeados nos Óscares (vejam por exemplo Ben Affleck, que não chegou à Academia com Argo, mas venceu o DGA). No entanto, é a minha percepção e o meu método. Não tentem ganhar dinheiro com ele. Deixo-vos então as minhas previsões acerca dos vencedores dos Óscares de 2018, assinaladas a negrito, com referência aos que considero merecerem, na verdade, o prémio nas categorias principais.

 

Melhor filme

“Black Panther”

“BlacKkKlansman”

“Bohemian Rhapsody”

“The Favourite”

“Green Book”

“Roma”

“A Star Is Born”

“Vice”

Merece vencer: Roma. Por uma vez, o filme criticamente mais aclamado tem uma séria hipótese de ganhar. como reage a cinefilia no geral? Critica e acha que o filme de apenas bonito. É triste ser-se o favorito dos Óscares. Que o diga La La Land.

 

Actor principal

Christian Bale, “Vice”

Bradley Cooper, “A Star Is Born”

Willem Dafoe, “At Eternity’s Gate”

Rami Malek, “Bohemian Rhapsody”

Viggo Mortensen, “Green Book”

Merece vencer: Willem Dafoe. Rami Malek é o grande favorito, depois do SAG e do Bafta. No entanto, e apesar de Christian Bale está extraordinário em Vice, a trasncendência da performance de WIllem Dafoe como Van Gogh coloca-o um patamar acima de todos os restantes.

 

Actriz principal

Yalitza Aparicio, “Roma”

Glenn Close, “The Wife”

Olivia Colman, “The Favourite”

Lady Gaga, “A Star Is Born”

Melissa McCarthy, “Can You Ever Forgive Me?”

Merece vencer: Glenn Close. São sete nomeações sem prémio e não há uma outra performance nesta categoria que seja dominadora. É o ano certo para lhe darem o Oscar.

 

Actor secundário

Mahershala Ali, “Green Book”

Adam Driver, “BlacKkKlansman”

Sam Elliott, “A Star Is Born”

Richard E. Grant, “Can You Ever Forgive Me?”

Sam Rockwell, “Vice”

Merece vencer: Richard E. Grant. Dar este prémio a Ali é batota, pois este é praticamente principal. Recompensar Grant seria justo, pois faz aquilo que os verdadeiros secundários são: aparece de quando em vez no filme para brilhar num punhado de cenas e quase ameaçar roubar o filme.

 

Actriz secundária

Amy Adams, “Vice”

Marina de Tavira, “Roma”

Regina King, “If Beale Street Could Talk”

Emma Stone, “The Favourite”

Rachel Weisz, “The Favourite”

Merece vencer: Rachel Weisz. Não vi Regina King ainda, mas Weisz é, na minha opinião, a melhor performance de um filme que está cheio delas no feminino. Sem a Sarah Churchill de Weisz, complexa e inteligente, o filme de Yorgos Lanthimos cai. É tão simples quanto isso

 

Realizador

Spike Lee, “BlacKkKlansman”

Pawel Pawlikowski, “Cold War”

Yorgos Lanthimos, “The Favourite”

Alfonso Cuarón, “Roma”

Adam McKay, “Vice”

Merece ganhar: Alfonso Cuáron. Sem ele, talvez este fosse o ano de Spike Lee; mas Roma é uma obra tão pessoal e tão artsticamente irrepreensível que se torna impensável outro desfecho.

 

Filme de animação

 “Spider-Man: Into the Spider-Verse,” Bob Persichetti, Peter Ramsey, Rodney Rothman

Merece ganhar: Spider-man: Into the spiderverse

 

Melhor documentário

“Free Solo,” Jimmy Chin, Elizabeth Chai Vasarhelyi

Merece ganhar: Free solo

 

 

Melhor argumento adaptado

 “BlacKkKlansman,” Charlie Wachtel, David Rabinowitz, Kevin Willmott, Spike Lee

 

Melhor argumento original

“The Favourite,” Deborah Davis, Tony McNamara

 

Melhor fotografia

 “Roma,” Alfonso Cuarón

 

Melhor filme estrangeiro

 “Roma” (Mexico)

Merece ganhar: Roma

 

Melhor montagem

 “Bohemian Rhapsody,” John Ottman

 

Melhor edição de som

 “Bohemian Rhapsody,” John Warhurst

 

Melhor mistura Sonora

 “Bohemian Rhapsody”

 

Melhor cenografia

“Black Panther,” Hannah Beachler

 

Melhor banda sonora

 “If Beale Street Could Talk,” Nicholas Britell

(Que Justin Hurwitz não tenha sido nomeado por First man é um crime)

 

Melhor canção original

 “Shallow” from “A Star Is Born” by Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando, Andrew Wyatt and Benjamin Rice

 

Makeup and Hair:

“Vice”

 

Melhor guarda-roupa

 “Black Panther,” Ruth E. Carter

 

Melhores efeitos visuais

 “First Man”

 

Melhor curta-metragem de animação

 “Bao,” Domee Shi

 

Melhor curta-metragem documental

“Period. End of Sentence.,” Rayka Zehtabchi

 

Melhor curta-metragem

 “Skin,” Guy Nattiv


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Bruno Ricardo

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