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Entrevista a Filipe Melo: Um cinéfilo convicto

por Edite Queiroz em 12 Outubro, 2016

Arranca hoje no Espaço Nimas o programa Sessões de Culto, que apresentará, numa quarta-feira aleatória de cada mês, um filme escolhido pelo pianista, realizador e autor de banda-desenhada Filipe Melo. Nesta primeira secção – 12 de Outubro, pelas 21h30 – será exibido The Room (Tommy Wiseau, 2003). Estivemos à conversa com o Filipe para perceber como nasceu esta iniciativa e quais as razões desta escolha inusitada…

Como é que surgiu este convite do Nimas?

O convite surgiu numa tertúlia amigável de lutadores de sumo. Juntamo-nos às terças em Paço de Arcos para ver combates e discutir cinema.

Qual foi o critério que seguiste para a escolha dos filmes?

O critério que segui foi simples: São filmes que me apetecia ver numa sala com mais pessoas, filmes que gostaria de ver ou rever em sala, como nos velhos tempos. Uma espécie de tertúlia cinematográfica nostálgica e vanguardista, onde os filmes servem de mote para o aparecimento de ideias e colaborações artísticas.

The Room é a tua primeira escolha. Porque é que este filme é importante para ti?

Porque é muito divertido vê-lo na companhia de outras pessoas, é uma experiência interactiva. É o filme perfeito para começar estas sessões no Nimas, que quero que sejam uma reunião de pessoas que gostam de cinema – acho simbólico que comece com a exibição do pior filme de sempre – e, idealmente, um ponto de encontro que estimule a discussão dos filmes e o aparecimento de novos projectos e ideias. Não é um dos meus filmes favoritos, é apenas o que me apeteceu exibir, porque achei que faria sentido. Vi-o há alguns anos atrás, já não me lembro quando.

Na tua opinião, porque é que The Room é hoje um filme de culto?

Não sei. Suponho que essas coisas não têm uma explicação. Por alguma razão, o filme causa uma reacção nos espectadores – neste caso, por ser completamente insólito – e isso faz com que vá ganhando uma legião de fãs, que querem partilhar a experiência que tiveram com novos espectadores. O estatuto de culto aparece como consequência, não acredito que deva ser uma premissa.

As Sessões de Culto continuam no dia 2 de Novembro com a exibição de El Topo (1970), segunda longa-metragem de Alejandro Jodorowsky, que conta a saga de um pistoleiro solitário que vagueia pelo deserto, enquanto se depara com ocorrências e personagens bizarras.


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Edite Queiroz

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