MENUMENU

Entrevista


Ermo

Temos um metabolismo de composição bastante rápido e mal gravámos o EP, começámos, quase de seguida, a produzir para o álbum.


© Sofia Magalhães

Os Ermo são um jovem duo bastante talentoso, oriundo de Braga, formado por António Costa e Bernardo Barbosa, que integrou a mítica colectânea “À Sombra de Deus” na sua edição de 2012, tem um EP sem título que namora a ideia de Quinto-Império num registo de estúdio conceptual e recebe o prefácio de Adolfo Luxuria Canibal. A tudo isto, junta-se ainda o facto de serem considerados um dos maiores valores da nova música portuguesa.

1. Porquê Ermo? Qual a origem do nome?
Escolhemos Ermo pelo próprio significado da palavra. Um local ermo é um local deserto, despovoado, e era exactamente esse o posicionamento que queríamos dar ao projecto no panorama musical português, fazendo a música que, supostamente, ninguém estaria a fazer neste momento.

2. Lançaram o vosso primeiro EP (sem título) em 2012. Falem-nos um pouco sobre ele, foi bem recebido pelo público?
Cremos que sim, temos vindo a ter muito boas críticas e muitos convites para concertos, e o objectivo era mesmo esse. Ter um registo de estúdio que resumisse um pouco aquilo que tínhamos estado a fazer até à altura em que o gravámos. Acho que o mais importante referir é que este EP, tanto para nós e, consequentemente, para a imprensa, surge mais como uma promessa naquilo que virá depois do que já um afirmar do nosso projecto e, nessa medida, talvez seja também por isso que figuramos nas apostas de muitos para o ano de 2013.

3. O Adolfo Luxuria Canibal escreveu o prefácio do vosso EP. Até que ponto é que isso foi importante para vocês?
Foi importante para nós na medida em que foi o realizar de uma ambição nossa, pois o Adolfo é um artista que admiramos imenso e o facto de ele embalar, por assim dizer, o nosso primeiro EP, é um grande privilégio que temos.

4. Como foi a experiência de criar este EP? Era algo que tinham em mente há muito tempo?
Sim, o EP devia ter sido gravado uns meses antes, mas acabou por impossibilitar-se, mas creio que não mudaríamos nada se fosse hoje. É um EP inocente, com as suas falhas, como é a praxe num primeiro registo, e gravá-lo foi uma óptima experiência, pois fizemo-lo no Projéctil, rodeados de apoio, num espaço com o qual já tínhamos criado um laço há algum tempo.

5. O que significa este EP para vocês?
Como eu disse, este EP é para nós mais como uma promessa para o que virá depois, do que um murro na mesa. É também o retratar de uma temática que nos interessa imenso, que é o Quinto Império de Fernando Pessoa e acaba por surgir como o nosso primeiro trabalho puramente conceptual.

6. Estão já a pensar em gravar novo material? Talvez um longa duração?
Sim, temos um metabolismo de composição bastante rápido e mal gravámos o EP, começámos, quase de seguida, a produzir para o álbum e temos vindo a fazer alguns temas que temos apresentado ao vivo, juntamente com os do EP. O longa-duração chegará ainda este ano.

7. Quais são os objectivos da banda?
Os nossos objectivos para 2013, são os de qualquer banda, creio, queremos dar mais nome ao nosso trabalho e ganhar relevância no panorama musical, mas, acima de tudo, é fazer um trabalho do qual nos orgulhemos.

8. Se pudessem ver um desejo concedido para o ano de 2013, qual seria?
O desejo para 2013 é realmente conseguirmos lançar o nosso longa-duração sob condições que nos agradem, o que, muitas vezes, se torna difícil, e divulgar o nosso trabalho ao maior número de pessoas possível.

9. Têm dado alguns concertos. Como é que tem sido a reacção do público?
As reacções variam, claro, mas sempre me pareceu que há sempre um choque para aqueles que não nos conhecem e têm o primeiro contacto com o nosso trabalho ao vivo, seja ele positivo ou negativo. Mas temos tido muito bom feedback, o que justifica também a quantidade de concertos que temos marcados e as apostas que têm recaído sobre nós.

10. Se tivessem oportunidade partilhar o palco com uma banda… qual é que escolheriam e porquê?
Falo por mim, gostava de tocar com Swans ou Rome, mas, por exemplo, partilhar palco com o Nosaj Thing no Musicbox também será algo que vamos gostar muito, com certeza.

11. Para terminar, querem partilhar com quem vos estiver a ler o que têm andado a ouvir e que recomendam?
Já desde há umas semanas para cá que tenho andado a ouvir a discografia do Keiji Haino e Gnaw their Tongues, mas como estou sem computador, torna-se também difícil variar muito.


sobre o autor

Arte-Factos

A Arte-Factos é uma revista online fundada em Abril de 2010 por um grupo de jovens interessados em cultura. (Ver mais artigos)

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