Três décadas depois de Alternative Prison ter irrompido na música portuguesa como um manifesto sonoro de inconformismo, os Primitive Reason regressaram aos palcos para celebrar um dos discos mais marcantes da cena alternativa nacional. Lançado em 1996, o álbum tornou-se rapidamente um ponto de referência para uma geração que encontrou na fusão explosiva de rap, punk, hardcore, reggae e ska uma forma crua de expressão. Para assinalar os 30 anos desse momento-chave, a banda de Cascais reuniu novamente parte da sua formação original — Brian Jackson, Guillermo de Llera e Jorge Felizardo — juntando-se a Mark Cain e Abel Beja para recriar a química que incendiou palcos nos anos 90.

Depois de uma primeira paragem no Porto, a celebração chegou a Lisboa com um concerto especial no LAV – Lisboa ao Vivo, onde diferentes gerações de fãs se reuniram para revisitar um repertório que continua a soar urgente e visceral. Entre nostalgia, riffs incendiários e refrões que resistiram ao tempo, a noite confirmou que a energia dos Primitive Reason permanece tão contagiante quanto no auge da sua carreira.

A abrir o concerto estiveram duas propostas distintas da nova vaga alternativa portuguesa. Vindos do Montijo, os Hetta trouxeram o seu hardcore intenso e direto, feito de explosões curtas, grooves pesados e uma presença em palco que rapidamente conquistou o público. Já os Bad Tomato apresentaram uma abordagem que cruza pulsação urbana e atitude post-punk, apontando para uma nova geração que transforma o espírito do punk em algo simultaneamente energético e dançável.

Fotos por Hugo Rodrigues
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