Há concertos que são mais do que uma apresentação de canções; são a materialização visual e sonora de uma metamorfose. Cinco dias após o lançamento de Dopamine Chamber, o seu quinto álbum de estúdio, os irlandeses Fontaines D.C. escolheram Lisboa e o palco da MEO Arena para dar o pontapé de saída na sua mais recente digressão europeia.
A noite começou a desenhar-se ainda com a atuação da primeira parte a cargo dos Chalk, que prepararam a sala e ditaram a intensidade inicial do espetáculo. Logo depois, se nos trabalhos anteriores as guitarras cruas e a urgência pós-punk dos Fontaines D.C. ditavam as regras, o regresso de Grian Chatten e companhia revelou uma banda a abraçar uma sonoridade mais fria, estranha e sintética. Entre o contraste das luzes de palco, o magnetismo performativo do grupo de Dublin e a entrega de um público ansioso por mergulhar nesta nova “câmara de dopamina”, a noite de 21 de outubro ficou marcada por uma energia hipnotizante.