“Onde Nascem os Pirilampos” representa Portugal no Festival de Cannes

O cinema português volta a estar em destaque na 79ª edição do Festival de Cannes, que decorre de 12 a 23 de maio. A curta-metragem Onde Nascem os Pirilampos, realizada por Clara Vieira e produzida na Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC), foi selecionada para a prestigiada competição La Cinef. Esta secção do festival é inteiramente dedicada a filmes de escola de todo o mundo e à descoberta de novas vozes no cinema independente.
Com argumento de Helen Barrocas e produção de Matilde “Jordão” Lima, o filme conta com a distribuição da Portugal Film. Esta seleção marca um momento histórico, sendo a quarta vez em duas décadas que uma produção inteiramente portuguesa integra esta competição oficial. O filme segue as pisadas de realizadores como Falcão Nhaga ou Laura Anahory, reforçando a vitalidade da nova geração de cineastas nacionais.
Desejo e ansiedade climática na floresta
Para Clara Vieira, de apenas 22 anos, Onde Nascem os Pirilampos surgiu da dificuldade de autodefinição num cenário de futuro incerto. A narrativa acompanha um grupo de adolescentes que se reúne para acampar, focando-se na incapacidade de dois jovens assumirem a sua relação amorosa. O percurso de autoconhecimento e a descoberta do desejo cruzam-se com uma consciência ambiental e espiritual, manifestada através de uma presença mística no interior de uma floresta.
A realizadora portuense, que estudou interpretação na Academia Contemporânea do Espetáculo antes de ingressar na ESTC, já tinha realizado anteriormente a curta Playground. Nesta nova obra de ficção com 18 minutos, a realizadora explora a ansiedade climática através de uma floresta de magia criada pelo homem, onde o enxame de pirilampos serve de guia para os protagonistas enfrentarem as suas próprias questões internas.