18 Buracos para o Paraíso estreia com certificação verde e acessibilidade em sala

A longa-metragem “18 Buracos para o Paraíso”, realizada por João Nuno Pinto, chega aos cinemas nacionais amanhã, dia 10 de junho de 2026. A obra assume um marco inédito no panorama cinematográfico português, tornando-se a primeira produção nacional a estrear com a certificação Green Film e a disponibilizar recursos de acessibilidade em sala para o circuito comercial.
Com produção a cargo da Wonder Maria Filmes e distribuição da NOS Audiovisuais, o filme adota uma postura de responsabilidade ambiental e social. A atribuição do selo Green Film reconhece a gestão sustentável de recursos, mobilidade, energia e resíduos durante as filmagens. Em paralelo, numa parceria com a AMPLA, o projeto oferece audiodescrição e legendas descritivas através da aplicação MovieReading, permitindo que pessoas cegas, com baixa visão, surdas ou com deficiência auditiva possam acompanhar a obra nas sessões regulares.
Tensões e escassez num Alentejo sufocado
Com estreia mundial no Tallinn Black Nights Film Festival e passagens por eventos como o IndieLisboa 2026, a narrativa apresenta um retrato intenso de um território marcado pela seca extrema. Num Alentejo sufocado pelo calor, os destinos de três mulheres, interpretadas por Margarida Marinho, Beatriz Batarda e Rita Cabaço, cruzam-se numa herdade que se encontra à beira da venda. A aproximação de um incêndio serve como catalisador para expor tensões familiares, desigualdades sociais e feridas do passado.
Para o realizador João Nuno Pinto, a história foca-se no fogo, tanto na sua forma literal como metafórica, nascido de um pensamento predatório que empurra a sociedade em direção ao abismo. A narrativa desdobra-se a partir de diferentes perspetivas femininas, refletindo sobre a relação entre as pessoas, a herança e o colapso ambiental de um mundo frágil.