Vários – Azores & Metal Vol. III

por Christopher Monteiro
Ano 2023
Estilos Metal (vários)
Editora Museu do Heavy Metal Açoriano
Destaques Golgotha (Dark Age of Ruin), The Lament of Phaethon (A Dream of Poe), Lost (Drvzka)
Vários – Azores & Metal Vol. III
8.5/10

E com esta edição se completa a trilogia. E nem é só para cumprir calendário, a este ponto já é para corresponder à procura e aos pedidos. Muito sucesso e interesse já se pode apontar a esta compilação dedicada ao metal Açoriano, a provar que qualquer défice de atenção que pairasse sobre ela não seria por falta de qualidade. Muito pelo contrário.

Azores & Metal, Vol. III” segue a mesma vertente dos dois registos anteriores, com mais um forte leque de bandas, algumas repetentes, outras retornadas e sempre alguma estreante para dar o gosto de saber que não param de aparecer novidades. Entre essas novidades contam-se os modernismos musculados dos None the Less e dos InnerCircle, a familiaridade gótica dos Dust Project e o gelo do black metal dos Mournolith Abyss, banda nova que por acaso até é composta por veteranos já mais habituados a fazer parte deste plantel.

A partir dessa amostra já dá para se ter uma noção bastante geral do que compõe sempre estas compilações. A variedade. Que é uma boa identidade para a cena Açoriana. Há um pouco de tudo, quer se sinta muitas pendências para os lados góticos como dos veteranos A Dream of Poe ou dos assíduos Drvzka – dois exemplos que, por si, já são bastante diferentes – ou se espere algo na veia arockalhada dos inevitáveis Morbid Death. Na verdade há uma cena extrema que se encontra nos omnipresentes e tão promissores – ou já estabelecidos? – Dark Age of Ruin ou no desenfreamento thrasheiro dos Damage Device, que convive lindamente com o heavy tradicional, melódico, de aromas progressivos dos After the Rain ou com o rock ‘n’ roll mais descontraído dos Crossfaith. O bom sinal de que não falta vida ou variedade numa cena que se vê ali “presa” ou renegada. Talvez o fosse até agora. Que já percebemos desde a primeira edição que vale bem a pena voltar a cabeça para os Açores, não só pelo seu incalculável valor paisagístico, cultural e folclórico… Mas por também ter um underground de categoria.


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