Toxikull – Turbulence

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Heavy/speed metal
Editora Dying Victims Productions
Destaques Dragon Magic, Dying Star, King of the Hammer
Toxikull – Turbulence
8.5/10

Só tivemos que esperar dois anos para continuarmos ainda sem sair dos 80s, tal é a classe com que os nossos Toxikull tratam o heavy metal desses tempos, o speed antémico, as referências que até são muitas para estarmos aqui a enumerá-las todas, mas são suficientemente bem tratadas para os Toxikull já terem o seu próprio cunho bem estabelecido. “Turbulence” não é um título indicativo do período da banda, até porque vem prolongar o período de pique por mais um tempo.

Proporcionam a experiência de nos fazer olhar por nós abaixo para certificar se, pelo meio, não ficámos mesmo cobertos de cabedal. O punho deve estar lá encima, e o sentimento de satisfação e missão cumprida por mais uma batalha vencida contra as adversidades do dia-a-dia, com o poder do heavy metal também. Depois fica quase uma pirraça que nos faz também certificar que estas canções foram editadas em 2026 e não foram mesmo resgatadas a algum baú fechado desde 1982. A impressão que nos dá é que os Toxikull têm umas muito eficazes palas que os impede de ver qualquer coisa que tenha sido feita depois. Não soubéssemos mais e assumíamos que estas maliciosas malhas de speed metal com a velocidade toda ainda não chegam ao thrash porque o antecedem e eles ainda nem sabem o que é isso. Fazer isso sem copiar à descarada (as referências não deixam de estar bem à vista) e sem o pretensiosismo dos “nascidos na geração errada” é que é o verdadeiro desafio desta obra.

Uma sessão divertidíssima de procura de primas da “Fast as a Shark”, na qual se encontram refrães poderosíssimos, virtuosismo com precisão (por vezes é um pouco gratuito? Bem sabemos como eram os 80s, gostamos que seja um pouquinho) e uma viagem no tempo para uma despreocupação que tanto precisamos. Com Judas Priest como evidente bíblia, mas com muito que pudesse ser de Riot, Hirax, Agent Steel ou Razor, mas que também possa recordar um pouquinho de Dokken, e com um divertido esgar sem chegar ao glam (mesmo que a produção até remonte à estreia dos White Lion, que é um discaço que muitos não sabem ou fazem que não sabem). Mas a estabelecer, cada vez mais, que já temos líderes para o heavy tradicional por cá, e há muita saúde nesta vida pós-Midnight Priest. Estamos pouco importados com o quão natural, muito ou pouco, este revivalismo é feito. É muito hino que há por aqui.


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