Toxic Holocaust

Primal Future: 2019
2019 | eOne Music | Thrash metal

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O thrash metal, para um género tão aparentemente limitado, já se apresentou de muitos feitios. Na fórmula crua e primal, há o mais básico e algum mais técnico, há o mais fundido com influências vizinhas e, anos depois, já existiam revivalistas a conviver com formatos modernos mais musculados. Afinal ainda há muito para se fazer no thrash, mas é na sua forma crua, pura e feia que se localiza a preferência de Joel Grind dos Toxic Holocaust.

O novo disco, “Primal Future: 2019,” talvez pudesse espantar e fazer-se estranhar pela capa futurista, se é que isso pudesse indicar algum tipo de mudança de direcção. Ainda para mais quando as saudades já batiam, ao completar seis anos desde um álbum novo assinado por Toxic Holocaust, o maior intervalo entre álbuns até agora. Mas nada a temer, o primeiro premir no acelerador de “Chemical Warlords,” com uma produção vinda directamente de há três décadas atrás já nos garante que vamos para a mesma descarga de old school thrash a que Grind nos tem habituado. O termo “é mais do mesmo” aplica-se mas não de forma depreciativa. É que Toxic Holocaust não fabrica música para quem procura inovação ou modernismo, mas sim para quem quer uma boa dose de thrash metal apunkalhado, como mandavam as mais agressivas leis de antigamente.

Nada a apontar nesse aspecto, a não ser que Joel Grind continua ser um compositor e executor exímio desta sonoridade que bebe ao speed metal tradicional, ao punk, à parte mais extrema e negra dos Venom e dos Sodom, ao crossover dos Suicidal Tendencies e dos D.R.I., a toda a década de 80, sem querer enganar ninguém. Produção crua, riffs rápidos – “Primal Future” e “Cybernetic War” a manter-se mais a meio tempo, a remontar a um metal mais tradicional – de fazer abanar o pescoço. Técnica sem exibicionismos, crueza e simplicidade sem parecer amador. Uma verdadeira viagem à década de 80, a justificar o “2019” do título referente ao futuro. Sem pretensiosismos. Apenas a garantir que Joel Grind é aquele nome “go to” no que diz respeito a thrash metal simples, mas de imensa qualidade.

Músicas em destaque:

Black Out the Code, New World Beyond, Cybernetic War

És capaz de gostar também de:

Sodom, Midnight, Dirty Rotten Imbeciles


sobre o autor

Christopher Monteiro

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