The Strokes – Reality Awaits

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Indie rock, Synthpop, Art pop
Editora RCA Records, Cult Records
Destaques Going to Babble On, Going Shopping, Tyrants of the Mellow Moon
The Strokes – Reality Awaits
6/10

Percursos difíceis para quem parece ter conseguido tudo tão facilmente. Ali ao virar do milénio, uns putos descabelados de Manhattan traziam um álbum aparentemente simples, mas que viria a servir como um dos principais pontos de partida para o revivalismo do garage rock e do pós-punk que definiria o indie/alternativo da década que se seguia. E assim só, um “Is This It” tornou-se dos maiores e mais importantes discos de sempre. O problema é sempre seguir isso e é bem sabido que os anos seguintes dos The Strokes tiveram altos e baixos. Vários regressos, com diferentes efeitos. Um auto-revivalismo de luxo em “The New Abnormal” e mais uma espera por este “Reality Awaits”.

Que já vem cheio de experimentalismos e coisas bizarras porque isso tem a sua graça. Aquelas coisas arriscadas que podem resultar ou não. O pop revivalista e vigoroso de “The New Abnormal” resultou lindamente. Para “Reality Awaits” ficou a esquisitice. E somos a favor disso, por aqui defende-se sempre qualquer escolha estilística mais fora da caixa, aquilo que o artista queira fazer. Mas também é o tipo de sítio onde temos que mandar algumas mais azedas e temos mesmo que dar o destaque negativo ao autotune estilístico que Julian Casablancas decide empregar e que se sobressai como um polegar enfaixado. Utilizado só porque sim, pelo efeito, mas em demasia e a parecer um brinquedo que descobriu durante a crise de meia-idade. Obriga-nos mesmo a aconselhar avançar a “Psycho Shit” para o indie mais familiar e reconfortante de “Dine n’ Dash” e procurar momentos em que algo mais dançável, mas a lembrar o pop rock upbeat que andavam contemporâneos seus a fazer deste lado do Atlântico, como em “Going to Babble On” ou “Going Shopping”.

Não nos importamos com os Strokes neo-psicadélicos, com cheiros de pop, muito pelo contrário, foram muito bem-vindos em “The New Abnormal”. Nem com uns Strokes que vão ao dream pop buscar ambientes, nem com experiências mais inesperadas. Mas excluíam-se algumas opções para melhor desfrutar um disco que ainda tem o seu potencial à vista. A recompensa até fica para o fim, para uma ode a Radiohead, uma bem Paranoid Android-esca “Tyrants of the Mellow Moon”, que mesmo assim nos deixa a pensar o quão melhor seria com a voz de Casablancas normal. Experiências boas e menos boas, alguns momentos familiares, canções pegajosas, outras mais aborrecidas e fica mesmo a faltar um pouco de coesão neste “Reality Awaits”. Há um bom disco assim meio camuflado, no meio disto tudo. Era só organizar umas ideias. E excluir outras.


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