Os novatos estão de volta. É o tipo de brincadeira que temos à mão para abrir algo sobre alguém com 25 discos e uma carreira que os torna daqueles actos conhecidos desde nascença. Apresentá-los é uma piada de gosto questionável. “Foreign Tongues” tem um sítio confortável onde se situar numa discografia onde já existiu de tudo, do muito bom, ao menos bom, ao mauzinho, ao “Dirty Work”. Com uma carreira destas, podemos considerar que andam a fazer os simples discos nostálgicos desde o “Voodoo Lounge”… Que já tem mais de trinta anos.
Claro que se tratam dos Rolling Stones, a quem a casa dos oitenta anos parece estar a atrapalhar em nada. Não há um renascimento, mas com um ainda recente “Hackney Diamonds” a ser melhor que aquilo que esperávamos e exigíamos, quase cometemos o disparate de colocar pressão sobre este sucessor. Se existiu disso sobre o trio de Jagger, Richards e Wood, não parece, tal é a juvenilidade e jovialidade com que atacam estes temas que não fazem muito mais do que colocar sobre a mesa as suas habituais ferramentas. Uma compilação de enérgicos tratamentos aos blues, subtis throwbacks aos seus próprios clássicos, um pouco de ocasional country, devaneios pelo folk de Dylan, e um rock de raíz que lá faz um indivíduo de 82 anos continuar a abanar tanto a anca. Dá a sensação que fizeram tudo como faziam quando eram jovens, até mesmo a admiração por outros actos seleccionados para fazer a cover: aqui fazem-no com um clássico mais contemporâneo, homenageando Amy Winehouse num dos principais destaques de todo o álbum.
E não deixa de ser uma celebração de amigos, ainda com um pouco de Charlie Watts a ser ouvido, com uma procura de malta que também será assim relativamente conhecida como um Robert Smith, ou um Paul McCartney, com participações subtis. Até o Bruno Mars anda por aqui com uma cowbell. E tudo instala um clima de boa disposição, onde Mick Jagger pode exibir os dotes vocais que ainda tem com a sua idade (e fazer umas brincadeiras como as de “Jealous Lover” ou “Never Wanna Lose You”), ter algo de relevante a dizer, e com o mesmo tento na língua de quem escreveu uma “Star Star” (à qual uma melodia de “Mr. Charm” parece remontar) e uma mais obscura “Cocksucker Blues”. Não supera clássicos, é capaz de ser demasiado longo, e essas coisas todas que tendemos a apontar como defeitos. Mas importa muito pouco. Já podiam ser uma paródia deles próprios, já podiam estar mais do que acabados. Mas são os Stones, até com isso nos conformaríamos. Fazemos a tal brincadeira obrigatória de dizer que isto tudo é apenas rock ‘n’ roll, mas gostamos, ou avançamos desta vez? Já fizemos com o anterior, não já? Mas é tão verdade…