The Ocean – Solaris

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Metal progressivo, Pós-metal
Editora Pelagic Records
Destaques Light Pollution, Simulacra, Belligerence
The Ocean – Solaris
7/10

Foi sempre uma constante evolução e transformação musical ao longo da dezena de discos dos The Ocean, que chegam a “Solaris” com aquele que poderá ser o seu passo maior e mais variado. Inspiram-se no filme de ficção científica da década de 70, de Andrei Tarkovsky, para algo que já carregaria muito: a apresentação de um novo alinhamento que vem mesmo agitar a fórmula.

A maior alteração de casting estará nas vozes. Agora sem Loic Rosetti na voz, entram Enrico Tiberi com a voz berrada, e Lane Shi, com esta vocalista chinesa já habituada a música bastante experimental, e aqui a tomar conta das peculiares vozes limpas. Vêm com algo a provar, mas o disco não é só a habitual música dos The Ocean com vozes novas a adaptar-se. Aproveita que coisas já iam mudar para mudar um pouco de tudo, entrar por outros campos e apresentar aquele que possa ser o seu trabalho mais ambicioso. Longas faixas permitem transições estilísticas, já cada uma delas a ter a sua abordagem diferente. A muito longa e desafiante “Simulacra” segue a melancolia inicial com virtuosismo progressivo, mas hiperactivo; “Belligerence” segue com uma nota bem mais agressiva, recorrendo ao mais bruto pós-metal que lhes conhecemos, com uma “edge” extra; e até são suficientemente ousados para acabar a viagem em nota electrónica. Se está tudo um pouco colado? Um pouco, sim. Mas repetidas audições ajudam todas as vertentes a fluir melhor e mais facilmente.

Louva-se bastante o trabalho dos novos vocalistas (a voz de Lane Shi até pode ser um gosto adquirido, mas é tudo menos discreta, é para ser a parte favorita ou a menos favorita dos ouvintes, sem intermédio) e ainda mais a ambição. As referências ainda são algo palpáveis, e sentem-se indícios de Anathema, Mastodon, Cult of Luna, Riverside, Ulver, espalhados, numa de inspirar-se sem copiar o trabalho de casa à descarada. Até porque ainda há muito The Ocean aqui. Mas uns The Ocean novos. Com coisas a aperfeiçoar e algumas a conter. Mas não parece mal encaminhado.


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