Tarja – Frisson Noir

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Metal sinfónico
Editora earMUSIC
Destaques Leap of Faith, At Sea, The Trace Outlives
Tarja – Frisson Noir
8/10

Eterna, sem dúvida, e ainda dos maiores vozeirões no geral, não só no metal. Mas andamos a viver do legado de Tarja há um tempo e anda a fazer falta um disco que realmente cause impacto, antes que reverta novamente para ser “a antiga vocalista dos Nightwish”, com a malta a só querer ouvir os discos desse tempo. Vai andando aí, nunca a perdemos de vista, e os álbuns que vai editando não se sobressaem, mas estão longe de ser maus. Pelo meio, umas brincadeiras natalícias, a dar tons góticos e “dark” às cantigas festivas que tão bem conhecemos. Tudo muito castiço, sim, mas precisamos de mais do que isso.

Frisson Noir” pode bem ser o disco que precisávamos da diva finlandesa. Não conseguimos evitar as saudades de outros tempos, numa banda já aqui mencionada, e ansiamos sempre por aquela jantarada em que se reconciliem todos, já que uma fracção da banda também já a tem do seu lado: Marko Hietala, que dá um ar da graça em “Leap of Faith”, mesmo para lembrar aqueles velhos tempos. Esta é mesmo para isso, para o “feel good”, para a lagriminha, para quem tiver essa sensibilidade. Mas “Frisson Noir” não vive só do passado. Até se enche com mais convidados, dos mais ou menos prováveis, como quem diz que Tarja faz o que quiser e, se precisar de companhia, tem muitas vias por onde as arranjar. E o melhor e principal disso tudo é que continua a ser um álbum indubitavelmente dela.

O peso realmente regressa e não é só um cheirinho para parecer. Tarja assume uma temática lírica de alguém que parece estar a ser finalmente confrontacional e ajuda à disposição de todo o álbum. E não se limita só a carregar nas guitarras e chamar alguém como o Dani Filth (que enriquece mas não define o rumo de “I Don’t Care”), também tem a sua mais longa e ambiciosa composição em “At Sea”, e convida Sayo Komada para tocar o samisém e acrescentar uma forte influência oriental a “The Trace Outlives”. Ambição e risco como não lhe sentimos há um tempo. E “Frisson Noir” pode bem ser o seu disco mais interessante desde o “What Lies Beneath”, e com muita coisa que puxe à nostalgia pelo “My Winter Storm”, sem ser tão às apalpadelas e incompleto como esse foi. Somos uns chatos e continuamos sempre a sonhar com as pazes, mas até lá… Temos coisas boas com que nos entreter.


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