Taake – En Skog av Nidstang

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Black metal
Editora Dark Essence Records
Destaques Einstoeingen og Eg, Et Dyr Tok Min Hud, Av Guds Ville Naade
Taake – En Skog av Nidstang
7.5/10

Taake, nome já incontornável no black metal inconfundivelmente norueguês. Chegou um pouquinho depois da catadupa, podia ter chegado tarde à festa, mas soube impor-se. Com alguma irreverência e acções “edgy”, sim, mas também pela qualidade dos discos que tem vindo a lançar desde o final da década de 90. “En Skog av Nidstang” já se mete numa discografia vasta, faz-nos especular onde o situar, como é inevitável acontecer.

Hoest, o verdadeiro e singular núcleo da entidade que é Taake, nunca foi músico de se deixar ficar confortável e sempre explorou quanto pôde, dentro do espectro do black metal. Sem precisar de ser dos mais excêntricos que faça confusão ao fã mais trve, que usará corpse paint no dia-a-dia sem ironia, foi sempre aventureiro. E não é só ao espetar improváveis solos de banjo no meio de um tema, para se tornar o seu hino mais popular pela curiosidade, também brinca com as estruturas e influências das canções. Ultimamente andava a deixar-se influenciar imenso pelo progressivo (sem soar e Enslaved) e com coisas que pudessem provocar o sacrilégio de atribuir algum prefixo “post” ao que fazia. Mas sem nenhum afastamento escandaloso das suas origens. Não deixa de ser black metal só. E pode ter tido ali o seu pique no anterior “Et Hav av Avstand”, já que esta novidade é Taake a despir-se bastante aos básicos.

É um disco menos inventivo, sem deixar que isso limite a criatividade. Quatro temas, cada um de personalidade própria (a contrastar com os anteriores que poderiam ser um só tema dividido em partes), ainda com a presença de recentes elementos do qual não se deve livrar agora, para não parecer que resgatou aí um punhado de demos dos tempos dos Thule, por falta de ideias. Não deixa de ser um seguidor de “Et Hav av Avstand” mas mais focado na agressividade primitiva, nos riffs cheios de tremolo, na voz sangrenta (e um ocasional “Ugh!” de agonia, por vezes meio cómico), na quase-monotonia, na construção das atmosferas. Podemos continuar sem muita certeza de onde “En Skog av Nidstang” se pode situar na discografia de Taake, mas podemos situá-lo como um passo importante na vida artística de Hoest: já tem a sua personalidade musical vincada há muito tempo e já tem espaço para se poder deixar estar um pouco mais confortável, sem ter que sacrificar alguma coisa para isso.


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