Sleep – Hempispheres

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Stoner metal
Editora Third Man Records
Destaques Have Spacesuit Will Travel, Hempispheres, Arrival of the Industry Ships
Sleep – Hempispheres
6/10

Não parece haver álbum dos Sleep que seja lançado em circunstâncias normais, ou sem alguma história por trás. O clássico “Sleep’s Holy Mountain” teve o lançamento à Venom: foram editadas as demos; o rebuscado “Jerusalem”, ou “Dopesmoker”, o que lhe queiram chamar, teve várias versões bootleg até que a épica faixa de uma hora tivesse o(s) seu(s) lançamento(s) oficial, já depois de a banda estar separada; “The Sciences” foi o regresso discográfico, após tantos anos, lançado assim sem qualquer aviso ou promoção. E agora “Hempispheres” também não se safa de ter já algo a ter em conta antes de o ouvirmos sequer.

Que é a profunda alteração no alinhamento, que nos faz enfrentar a ideia de um álbum de Sleep sem Matt Pike na guitarra. Uma parte nuclear da fórmula da banda, o Sr. High on Fire era aqui o Sr. Riff e deixa-nos a questionar se levou isso com ele e faltam riffs fortes neste “Hempispheres”. E temos que dar as más notícias. Faltam mesmo. Não é que o álbum esteja isento deles, mas já não são mesmo aqueles riffs característicos, mesmo com um bom trabalho do recém-chegado Bubba Dupree. Também se estreia Dale Crover na bateria, já lendário e com o legado dos Melvins, uma escolha mais acertada. Mas a banda fica centrada em Al Cisneros e dá naquilo que talvez seja a sua referência: um stoner mais orientado pela psicadelia do passado, mais protometal que doom de barba rija, e com muito space rock, numa abundância que não lhe associaríamos antes. O trocadilho do título (“HEMPispheres”, get it?) não vai ser suficiente e fica tudo a saber a pouco.

Ficando a banda como um veículo para o imaginário de Cisneros, muitos questionarão porque não dar outro nome a isto (ele já tem uns quantos e, por acaso, um disquito novo de Om até nem caía tão mal) ou se isto é contratual e feito por obrigação. É que “Hempispheres” não é uma total desinspiração, ou um péssimo disco sem méritos, de todo. Mas soam a seguidores de Sleep, que não têm o suficiente para alcançar a força que lhes é associada. E não têm mesmo. É a falta que um membro pode fazer. “Hempispheres”, dentro do stoner contemporâneo, é um disco competente, acima de muitos. Mas como álbum de Sleep vai directo para o fundo do catálogo.


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