Severe Torture – Torn from the Jaws of Death

por Christopher Monteiro
Ano 2024
Estilos Brutal death metal
Editora Season of Mist
Destaques Marked by Blood and Darkness, Christ Immersion, The Pinnacle of Suffering
Severe Torture – Torn from the Jaws of Death
8/10

Um regresso daqueles, e que se calhar nem estava no “bingo card” de muitos. Uma amostra com um EP em 2022 e afinal não se ficaram por aí. “Torn from the Jaws of Death” é o tão simpático título de um disco que volta a trazer os Severe Torture para o topo das nossas opções quando queremos abrutalhar as coisas com riffs e deixar tudo num alvoroço. Já lá iam catorze anos desde “Slaughtered” mas como ainda devíamos estar a limpar o sangue e as tripas que esse, e os clássicos que o antecederam, deixaram espalhados por todo o lado, é porque o impacto não foi fraco.

Porém, estes Holandeses nunca constaram propriamente entre os campeões do género. Brutal death metal violento, blasfémico quando quer e para usar o cartão da referência Deicide, e sem travões instalados no sistema. Mas sempre foram fiáveis. Consistentes e com suficientes clássicos – subvalorizados que ainda sejam na cena – para anteciparmos, com boa expectativa, o grande regresso. Mas sabem o que eles inventaram ou inovaram, verdadeiramente, nos seus tempos de glória? Absolutamente nada. Então já devem adivinhar o que vêm acrescentar no regresso. Exactamente o mesmo. Mas fica a questão pertinente: queriam o quê, afinal? Alguma coisa diferente não podia ser, e um panorama de música deste peso mais polida, mais desnecessariamente técnica, mais insipidamente melódica, podia sugerir que ia converter mais uns, – o selo Season of Mist não é novo mas ainda pode preocupar alguns – mas afinal o chiqueiro de carnificina que ficou no final de “Torn from the Jaws of Death” é o mesmo de sempre.

Regressa para fazer o que tinha a fazer, é o melhor que se pode dizer. Que é debitar riffs até o pescoço se queixar que já não dá para mais. A voz gutural de Dennis Schreurs está tão ou mais assustadora que nunca, e Patrick Boleij faz o seu baixo ouvir-se e bem – sem o virtuosismo de uns Disharmonic Orchestra ou o groove de um “The Bleeding,” mas ajuda bastante ao barulho. Sabe controlar-se, que bem sabemos o quão fácil é perder-se aqui com vinte riffs por faixa e em solos virtuosos, mas contêm tudo para conseguir ser memorável e até melódico – ainda sem cometer o sacrilégio de serem melodeath e sem a maldade de uns Exhumed – num disco inteligentemente breve para querermos voltar a rodá-lo, logo a seguir, ainda sem ter fartado do basqueiro todo que para aqui vai. Mais regressos assim, sem inventar muito, precisam-se.


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