Saint Vitus

Saint Vitus
2019 | Season of Mist | Doom metal

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Aqui por estas páginas internautas já foi hábito ler-se a falar sobre boas alturas para bandas clássicas do thrash ou para veteranos lendários do death, quase à vez. Pronto, parece que os doomsters não queriam ficar atrás. Os Candlemass surpreenderam todos com a reunião da formação do clássico de estreia para um disco tremendo e agora outra malta contemporânea que reina na arte do riff lento e fumarento, os Saint Vitus, anunciam o regresso do vocalista original Scott Reagers para dar que falar com mais um disco auto-intitulado.

Sete anos após “Lillie: F-65,” esse mesmo um regresso após dezassete anos de interregno discográfico, Reagers volta a substituir Scott “Wino” Weinreich, – houve sempre um certo “tag in and out” entre eles – que voltou a sua dedicação aos seus The Obsessed, e retoma a sua histórica parceria com o excêntrico Dave Chandler, guitarrista e eterna peça central dos Saint Vitus, que os faz soar com o arrasto característico. A década de 80 já passou mas Chandler castiga as cordas da sua guitarra para riffs lamacentos da escola Sabbath, que transportam estes temas para uma névoa densa. Muito do arrasto rítmico que caracteriza o doom metal e que faz dele isso mesmo parte do fuzz da guitarra de Chandler.

E o novo disco, que nunca conseguirá evitar ser uma peça de nostalgia, tem tudo. Cabeças abanam de imediato com o riff familiarmente aconchegante de “Remains” e fica esse factor como central com a voz descontraída e meia desleixada de Reagers a não apontar grandes diferenças em relação ao primeiro auto-intitulado de estreia. “Bloodshed” já traz as vénias a Motörhead para a veia mais rock, mas compensa-se o psicadelismo noutros temas como “12 Years in the Tomb” ou “Last Breath.” E, como nunca foram de seguir regras, peguem lá uma punkalhada acelerada para fechar o disco com chave javarda, em “Useless.” É difícil medir o impacto de novos discos de bandas que marcaram géneros e encabeçam pirâmides de influências. Mas este novo “Saint Vitus” é um excelente throwback, a mostrar veteranos em óptima forma, uns furos acima do seu antecessor e que deixa aberta uma janela para que tanto os Saint Vitus como o doom metal de raiz façam tanto sentido no presente como em 1984.

Músicas em destaque:

Remains, Bloodshed, 12 Years in the Tomb

És capaz de gostar também de:

Trouble, Candlemass, The Obsessed


sobre o autor

Christopher Monteiro

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