Têm dez minutinhos do vosso dia que possam dispensar? Não é para nada de especial, não é para nenhuma simulação de crédito por chamada, que se estica para uma total hora, são mesmo só dez minutos, nem isso, de boa destruição. Uma carga de lenha daquelas, um chiqueiro que leva mais tempo a ser arrumado e limpo do que a acontecer. É um EP dos Rotten Sound, está tudo bem. “Mass Extinction” é um “chegou e disse”, ou mais “chegou e berrou”, e vai embora após ter cumprido com o prometido, assim de forma tão breve e imediata.
Mas também, qual é a surpresa? Os Rotten Sound constam entre os titãs do grindcore, claro que é assim que eles trabalham. E quiseram fechar-nos o ano assim com esta prenda, um curto EP, que é um monstro por si, sem ter necessariamente que funcionar como um apêndice do “Apocalypse”, esse sim um extenso longa-duração no alto dos seus vinte minutos. Já sabemos como funciona e nem estamos importados se amanhã nos vamos lembrar de algum destes oito (!) temas tão demolidores e ameaçadores.
“Mass Extinction” não tem grande ambição ou pretende ser um destaque na discografia dos Rotten Sound. Mas é um óptimo cartão de visita, um proverbial “free sample”, se assim o quisermos dizer, para a forma exemplar como os Rotten Sound destroem os seus arredores. Em tão pouco tempo dá para entender que eles sabem exactamente quando devem abrandar: no fim, depois de acabar, naqueles breves segundos antes de não resistirmos à tentação e voltar a tocar do início, que ainda ficaram algumas coisas por estilhaçar (por acaso, é um bicho mais lento, quase sludge, que introduz a faixa-titulo no final). Ah e não está aqui uma barulheira pegada só, as canções curtas têm a sua estrutura e abundam na mesma riffs para dar cabo de um pescoço. Os riffs. Como não podia deixar de ser, movidos a crust e death metal, são os patrões disto. Siga para mais uma voltinha!

