Rotten Sound

Apocalypse
2023 | Season of Mist | Grindcore

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Tão inútil, e até irónico, gastar muitas palavras e linhas desta página internauta para descrever uma descarga tão breve e directa como esta. Um autêntico “Apocalypse” que os Rotten Sound aqui montam, sem travões, no seu regresso discográfico que é apenas grind como manda a lei.

É um estardalhaço de princípio ao fim e só depois destes vinte minutos passados é que nos dão uma chance de vermos as pisaduras que ficaram. Dizíamos isto e estava feito, explicadíssimo está o som dos Rotten Sound, dos campeões deste furioso subgénero que estica até onde a música extrema pode ir. Mas há muita vénia a fazer a estes Finlandeses. Retomam actividade cinco anos após o EP “Suffer to Abuse” e sete após o longa-duração “Abuse to Suffer,” para contar oito álbuns, uma catrafada de EPs e mais uns splits aqui e ali, ao longo de trinta anos de carreira. Ainda tocam como quem tem algo a provar. “Apocalypse” é tão bom ponto de partida para os conhecer como qualquer um dos seus clássicos. É uma noção de que não são mencionados de imediato com os Napalm Death, os Carcass e até a patetice dos Anal Cunt parece passar-lhes à frente.

E merecem reconhecimento. Deixando politiquices, violência gratuita e humor mais contidos, os Rotten Sound deixam que a música fale por si e depositam lá toda a agressividade num sádico pára-arranca que mal deixa respirar. Os pescoços que aguentem. Mas nem só de fúria estupidamente rápida se faz um “Apocalypse” deste gabarito. Podem tentar acompanhar a berraria de Keijo Niinimaa, mas atentem aos riffs. É lá que está a podridão, mas também o crust, o arrasto sludge, a sujidade punk, até o raio do groove hardcore – que “Fight Back” e “Ownership” pedem bailinho na pit e tudo! – para nos ficar preso na cabeça. A pobre coitada que se amanhe com esta cacofonia a deixar tudo de pantanas lá dentro. É como ficamos desde a entrada de carrinho de “Pacify.” A partir daí estamos indefesos. Só no final temos o direito a pronunciar algo. E é a pedir mais porque somos doentes.

Músicas em destaque:

Pacify, Fight Back, Breach

És capaz de gostar também de:

Nasum, Magrudergrind, Fuck the Facts


sobre o autor

Christopher Monteiro

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