Nonpoint – The Last Word

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Nu metal
Editora 361 Degrees Records
Destaques Failing the Conversation, Is It, Crowd Control
Nonpoint – The Last Word
7/10

Hoje em dia, quando o nu metal já é cool outra vez, falamos mais abertamente de qualquer coisa que tenha a ver com o assunto. E já podemos reconhecer (ou inventar) que existe ali uma santa trindade de nu metal latino, constituída pelos P.O.D., os Ill Niño e, nunca nos podemos esquecer, mesmo que esteja propício a isso, os Nonpoint. Não nos podemos esquecer porque é injusto. E porque até devem ser os melhores dos três, mas isso é um prolongamento da conversa para o qual, realmente, até os que já se estejam novamente a acostumar ao nu metal, não estejam preparados.

“The Last Word” é a coisa mais simples que os Nonpoint podiam arranjar para o seu décimo-primeiro álbum (décimo-terceiro, se contarem os dois lançamentos independentes dos 90s). Uma prenda aos fãs que ainda estão aí. Melhor ainda: também o pode ser para os fãs que estão aí outra vez. Um lembrete de que não foi complexidade que seduziu no nu metal. Um reforço de que andamos realmente a precisar de diversão, sem a necessidade de algo mais anexado – não é que os Nonpoint andem agora sem mensagem, claro. Um disco de descontracção. Para entrar um riff fortíssimo em “Failing the Conversation” e até nos surpreender: isto era assim tão pesado? Vamos recordar e, sim, era. Claro que era. Já estarímos a descreditar demasiado o nu metal. Isto ainda era eficaz. E “The Last Word” continua a sê-lo, consciente de que não tem que fazer mais do que isso. Quase como quem diz, “até podíamos nem ser algo de muito especial, mas ainda não paraste de abanar a cabeça, pois não?”

Rendemo-nos. Notamos um inevitável envelhecimento na voz de Elias Soriano, lembramos que parecem estar ainda mais rendidos ao rap do que nos velhos clássicos, e desfrutamos do refrão gordo que eles sempre souberam fazer. “The Last Word” é um disco intencionalmente curto e grosso. Uma meia hora que passa rápido e que nos deu logo vontade de preparar um lanche, jogar um pouco de “WWE: Smackdown! Vs Raw: 2007”, e ir sacar umas músicas ao eMule, antes de fazer os trabalhos de casa, que amanha é dia de aulas. Não estivesse o público disto a contemplar os seus trintas ou proximidade dos quarentas. Por isso é que um “The Last Word” tem um sabor tão maravilhoso, com o tão “pouco” que apresenta.


Partilha com os teus amigos