Nargaroth, um nome tão habituado a equilibrar-se numa linha tão fina entre o acto de culto e a meme, que nem sabíamos que existia. Assim de vez em quando pode esperar-se alguma coisa nova com este nome. Assim como alguma excursão estilística para fora, quando o Kanwulf, ou Ash, ou o que seja, mentor deste projecto, decide querer afastar-se do black metal. Talvez o mais garantido seja realmente que alguma loucura lhe seja associada, mas não podemos fechar os ouvidos ao regresso à crueza do black metal de “Apocalyptic Steel”.
Um regresso ao black metal mais cru é o que suscita mais interesse. Se hoje em dia uma frase como “black metal ist krieg” é dita com o ideal esgar de gozo e a ironizar os exageros, a frase não saiu do nada, é mesmo um dos principais hinos, saído de um dos mais notáveis e infames discos de Nargaroth. Portanto a malta vai logo sacar dos picos para colocar nos pulsos e pintar uma cara de mau, que temos aí dose. A “Intro” é propriamente útil? Nem por isso, mas só por prevenção, baixem o volume e certifiquem-se de quem podem ter por perto para evitar constrangimentos. Depois disso, então, é que começa o bailarico. Um temporal de tremolos, blastbeats, produção crua e arranhada, e Ash a berrar as suas entranhas por cima disso tudo. Por entre uns ladrares que nos agradam por anunciar como Nargaroth está mesmo de volta (“Twisted Steel”) e outras coisas mais estranhas (um título como “I Drink Alone” pode suscitar preocupação e perguntar ao homem se está tudo bem com ele), temos aquilo que pode ser um disco genérico de black metal, ou exactamente aquilo que se queria de Nargaroth. Depende do consumidor.
E depois chega ali a meio e algo acontece que faz parecer que Ash quis expandir um pouco os seus horizontes, mas não para os lados atmosféricos e ambientais onde já esteve antes. Parece reconhecer origens e referências. “Metalheart” retorna a origens da música extrema e do punk, já “Dresden”, com voz limpa, volta-se para os Bathory, com uma certa atmosfera de Burzum, e até abre um improvável caminho para a quase progressiva “Shelter the Faithless”. Até parecia que era para ficar ali escondido, no meio do chavascal do costume. Que se calhar era o que muitos procuravam. Não está um disco confuso, nem sequer um passo enorme em inovação na música de Nargaroth. Está um disco de Nargaroth, novamente “possessed by black fucking metal“, que encaramos com um sorriso alternado com a obrigatória cara de mau. É black metal para quem pede mesmo só isso.