Lançado no início do ano passado, mas a cheirar a novidade, tendo agora um lançamento mais amplo para todos os públicos, “Savage Imperial Death March” é uma aparentemente improvável colaboração entre dois nomes que, se calhar, até são bastante prováveis, afinal. Os malucos dos Melvins e os intensos Napalm Death. Pelo menos é tudo malta que gosta de fazer barulho, portanto devem entender-se.
A fusão pode não ser muito natural e deixa-nos a especular realmente como se vai suceder. Os mais lentos dos dois não têm problemas em acelerar e os mais rápidos também não têm em abrandar. Como funciona, quem está ao leme? “Tossing Coins into the Fountain of Fuck”, a abertura, parece mais orientada pelos Napalm Death, pendendo mais para o seu lado. Já “Some Kind of Antichrist” é mais à Melvins e os Napalm Death lá vão respondendo e acompanhando no background. É para ser à vez? Também não parece. Ainda nem essa mesma faixa acabou e o tema transforma-se numa sessão de experimentalismo, sons, musique concréte e mais uma data de coisas esquisitas. Talvez seja mesmo território mais Melvins, a puxar os Napalm Death para esses lados excêntricos. Até podem ser bastante amplos, mas esse tipo de extravagância experimental associamos mais a outros veteranos do grind como Brutal Truth ou Cephalic Carnage do que a eles.
“Awful Handwriting” segue essa mesma linha experimental, de uma psicadelia vanguardista, a parecer alguma passagem de uns Butthole Surfers ou Mr. Bungle naqueles seus momentos mais “trippados”. O formato de canção mais convencional volta em “Rip the God”, mais um tema à Melvins, a confirmar que talvez sejam mesmo eles a comandar. E tudo bem. Uma colagem assim só, directa, poderia ser muito constrangedora, e a natureza deste disco deverá, à partida, ser mesmo a de ser tresloucado e desafiante. Há peso na mesma, há paisagens sonoras nada convencionais e, por acaso, pouco grind ou death metal (que não deixa de dar um ar da sua graça e de até ser muito curioso, como quando ouvimos Barney Greenway a berrar por cima de feedback e sons industriais). Dado o seu inicial lançamento limitado, dá a entender que é um disco de amigos, feito para eles, e que nós também temos direito a ouvir. E temos direito a uns riffs gordos, a mistura de sons meio extraterrestres, a algumas canções bem gingonas como a “Stealing Horses”, a devaneios industriais que nos fazem verificar se o Trent Reznor também se juntou à equação, e até à “Jump” dos Van Halen. Pois é.