Melvins & Napalm Death – Savage Imperial Death March

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Sludge metal, Experimental, Stoner rock, Death metal
Editora Ipecac Recordings, Amphetamine Reptile Records
Destaques Some Kind of Antichrist, Stealing Horses, Death Hour
Melvins & Napalm Death – Savage Imperial Death March
7.5/10

Lançado no início do ano passado, mas a cheirar a novidade, tendo agora um lançamento mais amplo para todos os públicos, “Savage Imperial Death March” é uma aparentemente improvável colaboração entre dois nomes que, se calhar, até são bastante prováveis, afinal. Os malucos dos Melvins e os intensos Napalm Death. Pelo menos é tudo malta que gosta de fazer barulho, portanto devem entender-se.

A fusão pode não ser muito natural e deixa-nos a especular realmente como se vai suceder. Os mais lentos dos dois não têm problemas em acelerar e os mais rápidos também não têm em abrandar. Como funciona, quem está ao leme? “Tossing Coins into the Fountain of Fuck”, a abertura, parece mais orientada pelos Napalm Death, pendendo mais para o seu lado. Já “Some Kind of Antichrist” é mais à Melvins e os Napalm Death lá vão respondendo e acompanhando no background. É para ser à vez? Também não parece. Ainda nem essa mesma faixa acabou e o tema transforma-se numa sessão de experimentalismo, sons, musique concréte e mais uma data de coisas esquisitas. Talvez seja mesmo território mais Melvins, a puxar os Napalm Death para esses lados excêntricos. Até podem ser bastante amplos, mas esse tipo de extravagância experimental associamos mais a outros veteranos do grind como Brutal Truth ou Cephalic Carnage do que a eles.

Awful Handwriting” segue essa mesma linha experimental, de uma psicadelia vanguardista, a parecer alguma passagem de uns Butthole Surfers ou Mr. Bungle naqueles seus momentos mais “trippados”. O formato de canção mais convencional volta em “Rip the God”, mais um tema à Melvins, a confirmar que talvez sejam mesmo eles a comandar. E tudo bem. Uma colagem assim só, directa, poderia ser muito constrangedora, e a natureza deste disco deverá, à partida, ser mesmo a de ser tresloucado e desafiante. Há peso na mesma, há paisagens sonoras nada convencionais e, por acaso, pouco grind ou death metal (que não deixa de dar um ar da sua graça e de até ser muito curioso, como quando ouvimos Barney Greenway a berrar por cima de feedback e sons industriais). Dado o seu inicial lançamento limitado, dá a entender que é um disco de amigos, feito para eles, e que nós também temos direito a ouvir. E temos direito a uns riffs gordos, a mistura de sons meio extraterrestres, a algumas canções bem gingonas como a “Stealing Horses”, a devaneios industriais que nos fazem verificar se o Trent Reznor também se juntou à equação, e até à “Jump” dos Van Halen. Pois é.


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