E aí está. Como anunciado, um disco auto-intitulado de Megadeth para fechar o tasco. Após décadas como um dos nomes mais reconhecíveis e incontornáveis de toda a música pesada, capaz de ir além daquela sombra que acaba por persegui-los sempre, aí está a despedida. Olhando ao seu percurso nas últimas décadas, ao “regresso às raízes” que começou com “The World Needs a Hero” e que seguiu, com ocasionais interrupções, até hoje, onde estariam realmente as expectativas?

Se Dave Mustaine e rotativa companhia já não fazem um clássico há uns bons anos (têm imensos antes, em nada invalidados), dificilmente sairia agora algo superior, só por ser o último. Nem estaria ele a guardar gemas que apenas sairiam no fim. Portanto os mais defraudados talvez se devam culpar a si próprios: são os Megadeth como têm sido, agradarão a quem tem sido bem seduzido pelos últimos discos e enxotam quem prefere voltar a pegar no “Rust in Peace” a cada novo que surja. E quem prefere Metallica, também vai ficar na mesma posição. Podia ser despropositado trazê-los à baila, mas muito daqui também é sobre eles. A despedida de “The Last Note” tem uns versos sentidos referentes às origens de Mustaine e talvez não devamos pensar tanto na “I Don’t Care” e para onde se volta tanta raiva. Até porque é das malhas mais interessantes. E, claro, a cover de “Ride the Lightning” que vale mais pela curiosidade de ter acontecido que qualquer outra coisa. É uma recriação fiel que nada acrescenta, com uma paupérrima prestação vocal que até lhe retira.

Então e o resto? Se realmente na fase pós-”The World Needs a Hero” há uma vasta selecção de mediania com pontos mais altos (“The System Has Failed”, “United Abominations” ou “Endgame”) e outros bem mais baixos (“Super Collider”), este “Megadeth” fica no mesmo sítio. Há referências a várias fases suas aqui e ali, com a abertura de “Tipping Point” e “I Don’t Care”, assim como uma “Made to Kill” a ser do seu mais thrasheiro, “Let There Be Shred” é para se ligar ao “Rust in Peace”, talvez mais por referência do que por recriação, e alguns temas como “Puppet Parade” ou “Another Bad Day” a voltar aos seus dias mais melódicos do “Countdown to Extinction” e do “Youthanasia”. Umas coisas mais memoráveis, outras menos. Um canto do cisne que não pode debruçar-se muito nisso para se vender, já que a expectativa não pode estar muito alta, se quiserem verdadeiramente desfrutar dos Megadeth como são agora, eficazes quanto sejam, com a voz de Mustaine como ainda possa estar. É melhor manter a despedida simples, para se sentir melhor. E ainda por cima, nós já tão bem treinados para não acreditar nestes pontos finais de bandas grandes.


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