Não temos estatuto para estabelecer tal coisa, mas tentamos uma observação: é possível que os Hetta tenham aberto os portões para uma onda de rock desenfreado, desafiante e difícil de classificar. Mas, mesmo com um portão aberto, os Mangualde (oriundos do Porto, apesar do nome) não se conformaram com o convite e quiseram arrombá-lo na mesma. Vêm para montar “A Festa”, que não será propriamente como as outras. Ou como qualquer outra coisa que tenhamos ouvido.
Contornam logo um obstáculo à lapada: têm tanta coisa a correr dentro da sua compacta música, que até pode ser difícil arranjar com quem os emparelhar para tocar ao vivo. Como é contornado? Sendo autêntica castanhada daquela que é mesmo para ser vivenciada ao vivo, seja onde for, os outros cartazes que se amanhem em inseri-los. Podem ir para o cartaz metálico, tal é a espessura do seu sludge obeso; a malta do hardcore, ou de outros “core” que tal não deverão ficar quietos perante esta chinfrineira matemática que corre desalmada por todos os temas; muitos punks aperceber-se-ão que muita banda de punk (até mesmo boa) são meninos à beira do crust ameaçador que por vezes possui estes riffs; também não é só cagaçal e há coisas para a malta do rock, e há de dar para os colocar noutro sítio qualquer onde se goste de coisas desafiantes e até provocadoras, que eles têm sass para isso.
E fica o problema resolvido e podemos procurar palcos por onde andem, já que isto é música mesmo para isso. Apesar de toda a mistura de cores, disposições e ruídos, não o fazem com o pretensiosismo de quem quer ser muito cerebral, isto é mesmo música para armar o barraco e destruí-lo ao vivo, sem pensarmos muito nalgum “Cabeça de Esfregona” que lhes tenha inspirado a cantiga, ou como são capazes de começar um tema a soar próximos dos Linda Martini, antes de nos estarem a atacar com uma bola de demolição de múltiplos metais pesados amalgamados. Pensamos nisso depois. Temos tempo, que havemos de ouvir esta “Festa” muitas mais vezes.