Legion of the Damned

The Poison Chalice
2023 | Napalm Records | Thrash/death metal

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Quando mudaram o nome de Occult para Legion of the Damned, ali ainda na primeira metade da década de 00, os Holandeses quiseram tomar o mundo da música extrema de rompante com o seu híbrido de thrash e death metal através da garra da sua música mas também da sua assiduidade, com quatro discos no espaço de dois anos. Souberam quando abrandar e já temos fendas bem mais longas entre edições. Esperámos quatro anos por este “The Poison Chalice.

E é inteligente. Porque se há banda que muda a sua fórmula para ir refrescando o seu acto, essa banda não é os Legion of the Damned. O que tenha surpreendido no “Malevolent Rapture” e que tenha sido aperfeiçoado no “Sons of the Jackal” e no “Feel the Blade” é o que anda a ser reproduzido nas suas propostas mais recentes. E “The Poison Chalice” não é excepção. Não vem para surpreender. Mas o espaçamento permite que os álbuns respirem. Dá tempo de começar a apetecer um petisco destes, daqueles que até pode ser sempre o mesmo, é simples, mas sabe bem. Ajuda a apreciar a execução dos Legion of the Damned no seu thrash/death metal venenoso, malévolo, rápido, escarrado. Exclamado com aquela voz gutural/berrada de Maurice Swinkels, até nos reforça a ideia de que por vezes precisamos mesmo disto.

Apreciadores mais acérrimos que defendem que sejam uma banda subvalorizada terão que reconhecer que não há em “The Poison Chalice” algo que finalmente convença o mundo ou lhes aumente o ímpeto. E até quem se estiver a marimbar para a originalidade e só quiser uma descarga de início ao fim terá que reconhecer que alguns temas perdem-se por entre outros, vítimas da suas próprias semelhanças, e acaba por se encontrar aqui filler. Mas com a devida atenção, somos imediatamente convencidos por “Saints in Torment,” “Skulls Adorn the Traitor’s Gate” é um petardo daqueles, “Behold the Beyond” é o tema de thrash que muitos praticantes desse sermão gostavam de conseguir fazer, “Savage Intent” é o mais assustador que um heavy metal tradicional pode ficar na sua forma mais mutante e musculada e a faixa-título é um acenar de bom gosto aos Slayer. E depois há sempre a precisão daquele riff, daquele refrão – que não são uma banda melódica mas sabem fazer disso, talvez haja um escriba aqui deste lado que ainda tenha o refrão da “Disturbing the Dead” a ecoar-lhe no cérebro amiúde, desde que os descobriu com essa malha. “The Poison Chalice” é mais do mesmo, sim. Maça alguns, mas outros tantos ou mais agradecem por ter sido exactamente isto que encomendaram.

Músicas em destaque:

Saints in Torment, Skulls Adorn the Traitor’s Gate, Savage Intent

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sobre o autor

Christopher Monteiro

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