Está oficialmente aberta a época do “melhor disco desde o tal” com este novo “Into Oblivion” dos Lamb of God. Tem sempre que se situar de alguma forma, é inevitável. Há uma vantagem para os Lamb of God, que é a de não terem algum ponto especialmente baixo, alguma ovelha negra discográfica, no seu registo. Mesmo que varie a resposta ao pedido para listar quantos clássicos existem desde o “Wrath”. Há consistência a ajudar.

Mas que também pode atrapalhar. Tem que haver trabalho para que consigamos distinguir facilmente consistência de conforto. O segundo gera aborrecimento e preguiça. O primeiro implica empenho para manter o relevo. E, veteranos incontornáveis que sejam, já podemos declarar os 00s como a derradeira década dos Lamb of God, sem esperar que a vão superar agora. E não o fazem, mas que até devem ter dado vontade a muitos de ir recuperar agora um vestuário do liceu, é bem possível. O riff tão metalcore que introduz a faixa-título sugere a aceitação e integração de muito do que eles próprios influenciaram. E o resto podia ser o seu habitual groove metal pintado por números. Mas enquanto Randy Blythe conseguir manter esta raiva quase juvenil, há ali um fogo próximo dos traseiros que faz com que saquem de toda a pujança necessária para o resto.

Fica logo a soar menos automático que os menos memoráveis “Omens” ou o auto-intitulado. E, sem estar a inventar muito, até vão sacando de algumas surpresas, um riff com uma ligeira mudança no ADN aqui e ali, e até quando puxam do mais igual a si próprios (como, por exemplo, em “Parasocial Christ” ou “Blunt Force Blues”), remontam mesmo aos seus tempos de glória. E quando mudam mesmo a velocidade e até o registo vocal para uma sinistra “El Vacío” ou para uma “noventista” “A Thousand Years”, até ficamos surpreendidos e agradados com o que os Lamb of God ainda podem fazer com a sua própria fórmula. Com isto, cá vai: “Into Oblivion” é o melhor desde o “Wrath”. Tinha que ser, não tinha?


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