Mais uns. Mais uns que deixaram os fãs bem à espera, por um bom tempo, de um disco novo. Mas também mais uns que costumam ter a referência sonora sempre bastante próxima. Uma banda que toca a muitos, que até rima aqui com os Karnivool e tudo. Mas até já souberam superar isso. A pressão sobre este “In Verses” será colocada por eles próprios, com três discos exemplares da música alternativa/pesada progressiva das anteriores décadas. O que conquistaram. É isso que têm que seguir.
Por acaso, como temos que pegar nas inevitáveis referências, mais vale arrumar já esse assunto de uma vez. Ainda se detecta aqui muito de Tool, sim. Logo ao começar, em “Ghost”, é bastante imediato. A voz de Ian Kenny lá tem os seus momentos em que realmente se aproxima, lá aparece aquela melodia aqui e ali que faça lembrar, e também estamos a ouvir aquele baixo na “Conversations”. Que está fantástico, mas também nos traz lembranças. A este ponto, os Karnivool até soam bastante confortáveis com isso. Já deram a volta por cima. “In Verses” é deles e vem com a ambição de quem quer mesmo tentar superar um disco da dimensão de “Sound Awake”. Esse que até se disfarçava, por vezes, de um disco acessível. “In Verses” já não procura subtilezas. Ou então, disfarça-se de disco muito complexo, até deixar inevitavelmente transparecer o quão envolvente é.
É o que mais se desapega de qualquer nu metal que mais se sentisse noutros tempos, e é o que mais se atira a um “art rock” despretensioso e que, aceitando outras referências como The Mars Volta ou Circa Survive, cria o seu próprio mundo. Nem sabemos bem onde está a linha a separar o atmosférico do mais pesado, tal é a forma como se fundem, ou como as canções de longa construção têm o parentesco com as mais acessíveis e de refrão memorável tão à vista. Muito destaque ao longo de toda a duração, até concluir numa emocional e catártica “Salva”, que vem logo para se candidatar a melhor tema que os Karnivool já escreveram. Uma viagem complexa mas muito convidativa. Com força para, não só ignorarmos a maldição da influência muito notável, mas também nem sequer repararmos tanto nela. Só se nos deixarem outra vez muito tempo à espera. Aí sim, já começam a parecer os outros.

