Um lançamento mais convencional, dentro dos possíveis de Jack White, após a surpresa que foi o ainda recente “No Name”. Já volta a fazer as coisas mais à moda antiga, da mesma forma que faz por soar o mais à moda antiga possível; experiências já foram feitas, mas “Frozen Charlotte” tem a sua rockalhada tão despida aos básicos como o seu antecessor, acaba por segui-lo directamente, quase como um acompanhamento.
É verdade que, por aí, “Frozen Charlotte” não será dos discos de White que mais deslumbrará. Mas falamos de alguém que editou alguns dos melhores e mais influentes discos de rock da década de 00, ao leme de uma das melhores e mais influentes bandas de rock dessa mesma década. Até já podia ter abrandado muito mais. Continua, em nome próprio, a fazer as coisas tão à sua maneira como sempre, e nem precisa de se esforçar para fazer sobressair a marca “Jack White” nestes temas, simples que sejam. Quando chega ali à “Derecho Demonico”, aquela guitarra já chora e já estamos maravilhados. Já temos o habitual para nos encher as medidas, mesmo que nos passe pela cabeça que a própria escrita de canções tenha passado para segundo plano. O que é uma ilusão. É no que dá já ter escrito um dos riffs mais reconhecidos e reproduzidos (com certeza já por gente que nem sabe de onde vem) de sempre: deixa-nos mal habituados e queremos mais uma data de “hooks” imediatas.
Como se a sua marca de garage rock cru e de mão dada com os blues já não falasse tanto por si. Como se aquela guitarra também não gritasse por si. Será sempre o foco, portanto podemos sair daqui mais do que satisfeitos, com riffs na cabeça, com queixo caído com alguns solos a fazer sons que não nos ocorreria antes que saíssem de uma guitarra, mas também com umas canções enérgicas bem à Jack White, quer a dar-nos uma visão mais retorcida da história de Adão e Eva, ou a ser mais introspectivo. “Frozen Charlotte” será o seu disco menos “diferente” de outros, se o pudermos dizer assim, mas não deixa excentricidades de lado e também serve de conforto. É que Jack White agora já é um cinquentão e acaba de atravessar (mais) um divórcio. “Frozen Charlotte” vem reforçar que isso vem mudar nada.