Iommi – From the Dark

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Heavy/doom metal
Editora BMG Records, Bluefame Limited
Destaques Over the Violent Sun, World Alone, Beyond the Dead
Iommi – From the Dark
9/10

Foi há pouco mais de um ano que milhares marcaram presença, e milhões acompanharam de longe, naquela que seria a despedida de uma das maiores e mais influentes bandas de sempre. E mesmo que afirmássemos estar preparados, não estávamos assim tão preparados para que, pouquíssimo tempo depois, nos despedíssemos definitivamente de um dos frontmen mais carismáticos de sempre. Uma chave de ouro que fechou um legado inigualável como é o dos Black Sabbath. Com muito do seu legado nos seus monstruosos riffs. E o senhor por trás desses riffs ainda tinha algumas coisas a dizer, através da sua guitarra, claro, e “From the Dark” também pode ser uma despedida. Uma muito digna despedida, diga-se.

Aos 78 anos, viu que seria boa altura para lançar o seu primeiro disco em nome próprio em mais de vinte anos, não recorrendo aos serviços de Glenn Hughes desta vez, para dar voz aos temas. Mas não foi pelo “barato”, recorre logo a Jørn Lande, mítico vocalista norueguês, que por acaso até está habituadíssimo a cantar Dio, tendo já assinado um disco inteiramente de versões do lendário vocalista. A escolha é evidente e a expectativa também: vai puxar mais para os 80s dos Sabbath, e se calhar até é um digno sucessor do “The Devil You Know”, único álbum dos Heaven & Hell. É acertado, mas redutor. O tom de voz mais épico de Jørn, habituado às andanças do power metal (e que tem aqui uma fantástica prestação, das suas melhores em muito tempo), até vai fazer arrebitar a atenção a uma das fases mais subvalorizadas dos Black Sabbath: a era Tony Martin que, felizmente, tem vindo a ser redescoberta ultimamente. Claro que uma coisa é certa: é Iommi quem está a comandar os riffs, é claro que isto vai soar sempre a Sabbath.

A entrada de “Over the Violent Sun” é assombrosa. É mesmo Sabbath, de todas as formas que pode possivelmente ser, e ao homem realmente não lhe seca a fonte dos riffs doom, densos, pesados, tenebrosos quando são lentos, cheios de atitude quando aceleram um pouco mais. São oito temas, e oito fortes justificações para nunca termos exigido “truques novos” ao “burro velho” do Iommi. É mesmo o maior a fazer isto. Tudo isto soa a pós-Sabbath, como muitas grandes bandas que aclamamos, mas não de uma forma gasta ou de quem corre atrás das próprias velhas glórias. Fá-lo tão descaradamente quanto as bandas de doom que têm, obrigatoriamente, que ter a sua própria “Black Sabbath” no repertório: “Legacy” brinca um pouco com isso. Se é o sucessor do “Fused”, ou do “The Devil You Know”, ou até mesmo do “13”, pouco importa, porque sente-se como engloba todo um legado. Já ia ter uma forte carga emocional que até desculpava se o disco não fosse assim tão bom. Mas está aqui uma delícia, uma relíquia e peras. Obrigado por tudo, Sr. Iommi!


Partilha com os teus amigos