Interpol – This Mirror Weighs a Ton

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Rock alternativo, Pós-punk
Editora Partisan Records
Destaques See Out Loud, Ever the Actor, Bird and the Serpent
Interpol – This Mirror Weighs a Ton
7.5/10

This Mirror Weighs a Ton”, mas o que pode realmente pesar sobre os Interpol é a pressão que anda sempre sobre bandas que são elevadas a coqueluche quando aparecem e surpreendem, apenas para serem descartadas pouco depois, quer se justifique ou não. Esse exercício de injustiça é mais praticado por imprensa do que por fãs (não deixando de haver fãs que sigam essa dita imprensa), mas o certo é que se declarou que os Interpol lançaram dois álbuns de luxo logo ali a começar e, a partir daí, cada novo disco tinha muito a fazer para se justificar.

Sim, o “Antics” foi fantástico, e existiram alguns mais aborrecidos depois. Mas não é por isso que se deve fechar a porta a novas tentativas dos Interpol em voltar para a ribalta do rock alternativo, cuja forma ali na entrada do século também ajudaram a moldar. Em “This Mirror Weighs a Ton” há um ocasional acenar ao passado, uma canção ou outra que nos faça pensar se podia estar nos primeiros, muita melancolia que lembra as passagens mais tristes do “Our Love to Admire”, e todas aquelas marcas inconfundíveis da banda. Mantêm as suas adorações a Joy Division devidamente feitas à sua maneira, a voz de Paul Banks continua hipnotizante, continuam a soar àqueles cavalheiros de fato que são soturnos, mas com alguma animação, góticos sem o ser. Mas aproveitam o facto de andarem a trabalhar mais as atmosferas há já um tempo para deixarem entrar experiências com coisas como pós-rock ou dream pop, para um tom algo cinematográfico a algumas canções, sem lhes mexer na identidade.

O talento para as melodias continua lá, mesmo que mais subtil. Mesmo sendo a banda que criou um refrão tão grandioso como o da “Evil”, nem sempre têm recorrido a isso. Mas, por entre vários destaques, algumas pequenas surpresas, um interessante dueto entre Banks e o guitarrista Daniel Kessler em “See Out Loud”, um culminar cinemático como o de “Ever the Actor”, a docilidade da dream pop de “Enemy”, ou o crescendo da mais grandiosa “Bird and the Serpent”, que conseguiríamos colocar em algum dos primeiros três discos, são alguns bons exemplos no meio de outros destaques, e também de algumas gorduras que podiam ser cortadas, quando trabalham a fórmula de modo a deixar realmente canções arrastar-se apenas. Mas com um balanço positivo e uns Interpol tão identificáveis como sempre. Não estamos em 2005, mas os Interpol ainda estão em forma.


Partilha com os teus amigos