Insvla – AVIR

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Metal sinfónico
Editora Independente
Destaques Lost Again, The Monstress, Faith
Insvla – AVIR
7.5/10

O conceito de coisas datadas deve ter sido derrotado. E sem precisar de recorrer a termos como “revivalismo”, que já têm o seu peso. Atingiu-se um ponto na linha temporal em que, afinal, tudo coexiste e podem voltar modas, porque nem sequer são modas. Dito isto, realmente o metal sinfónico desfrutou bastante da sua berra há umas jeitosas duas décadas atrás, colheu imensos frutos, e saturou. Por cá, ou não notificaram as bandas que andam agora a brotar, ou elas não querem saber. E fazem muito bem. Parece estar a formar-se e erguer-se uma nova onda do dito estilo e, se precisarmos de um brasão com vários símbolos, por lá pode andar este “AVIR” dos promissores Insvla.

Esta é a sua apresentação, a estreia, é também a altura ideal para experimentar as coisas que possam correr menos bem, onde se permitem dores de crescimento. Onde analisamos o potencial. Mas os Insvla mostram logo inteligência na forma comedida como tratam um género tão over-the-top, que se engoliu antes de atingir a sua saturação e ter o seu desvanecimento. Contêm os excessos. Respeitam os clichés e a sua utilidade e não tentam ser diferentes só para o ser. Portanto que venham daí os duetos “bela e o monstro” e uma narrativa épica e de fantasia. É fácil resvalar a partir daí, mas é precisamente aí que começa o mais notável esforço da jovem banda.

O que pode faltar para realmente apelar a alguns fãs, quer novos ou saudosistas, é alguma edge. Não tem tanta força no riff, com algumas guitarras a sobressair-se nalguns momentos, mas a ficar no segundo plano noutros. Mas é também para nos mandar atentar àquilo que parecem procurar tornar os seus principais focos: melodias (muito dóceis, fica aqui o aviso para alguns e a recomendação para outros que procurem isso e prefiram essa parte do metal sinfónico, em vez daqueles outros exageros todos) e a voz de Sienna Sally, a orientar isto e a levar para campos de comparação onde temos coisas como Delain ou Sirenia. Boas referências, portanto. E existem realmente as arestas por limar, mas já a prometer muito, tal é a maturidade de “AVIR” e tal é a forma emocional como tratam um disco de um estilo que podia ser tão vazio, mas que demonstra como é fácil ter isto bem recheado. E voltamos a dizê-lo: não de excessos.


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