Nem é preciso estarmos aqui com rodeios ou a ter atenção a coisas muito audaciosas de se dizer: os Immolation serão mesmo os melhores a fazer esta coisa do death metal, hoje em dia e já há muito tempo. Quase que chateia que não consigam fazer um disco medíocre, mas não, ainda dá demasiado gozo ver cada nova lição de peso que lançam, sem deixar que um total de quatro décadas (isso mesmo!) de carreira é que sejam um peso sobre eles.
“Descent” é de um peso avassalador, disso nunca haveria dúvida. O peso continua a estar acima de tudo, até mesmo de variação na fórmula, já que são adeptos de não mexer muito no que está bem feito. E no caso deles, podem mesmo dar-se a esse luxo. A fonte de malhões com riffs monstruosos não se esgota. Reconhecemos logo a potência com que entram aqueles tremolos graves, a inconfundível assinatura dos Immolation, e que imediatamente criam aquela muralha sonora enorme e vigorosa. O que ouvem em “God’s Last Breath” é mesmo um senhor breakdown para embaraçar muitos que vivem à custa disso, e o final de “Attrition” é mesmo para vos ficar preso na cabeça. Só não gingam porque, lá está, o peso é muito arrebatador para isso. Mas também reforçamos essa parte: há sempre um elemento melódico nisto.
E atmosférico. O que podemos realçar como um mínimo baralhar de alguma coisa na fórmula é isso. Elementos atmosféricos, quase a acenar ao sinfónico, escondem-se lá atrás, para realmente se sentir como uma queda de alguma entidade, ou até mesmo a nossa. Até justifica um interlúdio como “Banished”, que podia ser mero filler. Mas não há cá disso. É malha atrás de malha, da marca Immolation; riff atrás de riff, melodia demoníaca a espreitar por entre cada escarradela de cólera, e aquele sentimento de que o apocalipse está mesmo sobre nós e, afinal, até nos sentimos agradados e triunfantes com isso. Mais um petardo certeiro numa discografia tão consistente e caso de estudo.

