Gaahls WYRD – Braiding the Stories

por Christopher Monteiro
Ano 2025
Estilos Metal progressivo, Black metal, Dark folk, Doom metal
Editora Season of Mist
Destaques Time and Timeless Timeline, Root the Will, Flowing Starlight
Gaahls WYRD – Braiding the Stories
7/10

Qualquer um que já tenha ouvido um só riff cheio de tremolo de black metal já está suficientemente habilitado para conhecer o mítico e controverso Gaahl e ter uma noção do seu currículo já vasto. E, se é certo que uma separação novelesca tirou algum encanto a uma entidade tão obscura como os Gorgoroth, também já se deve reconhecer que Gaahl avançou muito para além disso. Também a nível sonoro. Como servirão os Gaahls WYRD como exemplo, agora ao segundo álbum, “Braiding the Stories.

Quem terá avançado, inadvertidamente, a estreia “GastiR – Ghosts Invited,” pode ficar surpreendido com o afastamento do black metal que o Noruguês assumiu e que continua agora no difícil segundo disco. Continua a não ser de fácil digestão, e não se afasta um mínimo de tradições nórdicas, muito pelo contrário, ainda se aproxima mais, com o auxílio folclórico que completa as canções. Reina um metal progressivo mais experimental, de raíz pagã, e onde brincam com as estruturas, as atmosferas – o que realmente justifica os interlúdios mais minimalistas que, mesmo assim, até dá para avançar – e, o próprio Gaahl, até com a voz. Quem conhece a estreia, tem uma noção das fórmulas. Um metal progressivo mais à Enslaved. Um folk bem dark mais à Wardruna. E então lá no fundo, se quisermos realmente cavar bastante, lá se encontra qualquer vestígio de Gorgoroth. Mesmo que a costela black metal talvez remonte mais a Mayhem mais actuais e experimentais.

Braiding the Stories” é um disco que precisa mesmo de mais audições para crescer e para encontrar mais coesão entre os temas. As primeiras ainda podem ser de atenção um pouco dispersas, que podem divagar até serem prendidas pela progressão de pós-punk, blackgaze – palavrões desses aqui? – e um tom de voz gótico a remontar a Paradise Lost ou Type O Negative, na conclusiva “Flowing Starlight,” que realmente nos faz querer voltar ao início para ver se não havia assim outras coisas interessantes que nos tenham passado ao lado. E tem, mesmo que ainda se encontrem num “mixed bag,” é a qualidade que tem mais peso. Longa vida ao black metal mas também há vida para além dele.


Partilha com os teus amigos