Há que estudar os Evergrey. Quinze discos a manter a consistência, quando tanta coisa parece alinhada para já ter dado para o torto há um bom tempo. O primeiro ponto ao qual vamos prestar atenção é se o piloto automático está ligado neste “Architects of a New Weave”, já que assim parecia nos álbuns mais recentes. É algo que nos devia chatear mais que o que realmente consegue. Uma cisma terrível, mas damos mesmo por nós a questionar se os Evergrey ainda não nos aborrecem.
“Architects of a New Weave” não é, de facto, muito distinguível dos seus recentes antecessores. A mutação sonora já a fizeram há alguns anos quando passaram de um metal progressivo melódico mas com uma certa escuridão gótica a pairar-lhe por cima, como uma espécie de versão power metal dos Atrocity, ou assim um disparate qualquer, para um metal progressivo já mais acessível, mais directo, mais voltado para o alternativo mais contemporâneo, tentando não comprometer a musicalidade complexa que tinha cativado inicialmente. Já aí podia ter afundado um pouco. E, se alienou alguns, conseguiu manter mais. Não lhes retirou qualquer pertinência ou relevância. Simplesmente porque o faziam bem e até tinham (e têm) um sentido melódico bastante apurado. Portanto, o primeiro problema já está contornado. Agora temos a questão do tal piloto automático, e porque é que não nos incomoda assim tanto.
Para já temos a parte do quão bem ainda executam isso, especialmente Tom S. Englund com uma prestação vocal irrepreensível, que ainda não acusa os anos de carreira. Também notamos como ainda não comprometeram o peso, mesmo tendo já açucarado bastante as coisas, e mesmo recorrendo a “batotas” como guitarras a procurar o peso tornando-se mais graves (ora bolas, descobriram o djent!), mas sem fazer disso uma bengala na qual se apoiam constantemente. As melodias tomam as rédeas e é o que mais aproxima dos Evergrey dali da transição do século. Conseguem o disco satisfatório, sem que isso seja dito com o desgosto de quem atribui a nota “suficiente” por ter pontuado a resvés. Vai uma discografia grande assim e é isso que temos que estudar. São daqueles que podemos dizer que, se o próximo for igual a este, está tudo bem.