Dreams of Doom – Symphony in a Profound Darkness

por Christopher Monteiro
Ano 2025
Estilos Death doom metal
Editora Independente
Destaques Gallery of the Twisted Design (A Chorus of Despair), Path of Eternal Obscurity, Dreams of Doom
Dreams of Doom – Symphony in a Profound Darkness
7.5/10

É bem possível que o falatório à volta do projecto Dreams of Doom seja crescente. Mesmo sendo relativamente novo e tendo aqui a sua estreia, está longe de ser algo feito por amadores. Muito pelo contrário, é fruto da cabeça de um nome bastante soante no panorama pesado português. Augusto Peixoto. Se um mais distraído não reconhece logo, é fácil de verificar. Se têm uma rica representação portuguesa na vossa prateleira de CDs, vão lá ver os créditos de alguns. É muito provável que tenham algum com capa da sua autoria. Mas nem só de pincéis se mune e também costuma ter mãos ocupadas com baquetas e já integrou nomes de importância como Head:Stoned, Dove, Circles, HOST ou In Solitude – é, nós tínhamos uns, antes.

Symphony in a Profound Darkness” será o seu projecto mais pessoal, do qual é realmente a parte mais nuclear. Acompanha-se de Luís Oliveira, dos Living Tales, para os solos de guitarra e de um músico internacional anónimo que ajudou em vários instrumentos. Mas tudo em Dreams of Doom é Augusto Peixoto, é a sua alma que é aqui depositada. Curiosamente, afasta-se da vertente mais melódica das suas antigas bandas e agarra-se ao death doom cru, de raíz. É música impactante, atmosférica e que nos arrasta à força, mesmo que não se deixe levar tanto por passagens longas e repetitivas. Também procura o dinamismo. Não cai no fúnebre, e prefere o caos mesmo que também não nos leve para lá directamente e nos deixe mais com a sensação de iminência, ou de olho do furacão.

É um disco negro, que procura a intensidade compacta. De duração curta – com introduções e interlúdios cuja utilidade pode ser questionada por algum ou outro ouvinte – e sem procurar esticar muito. É um monstro que assusta e deixa a sua impressão imediata e rapidamente. Tem toda a vibe de projecto a solo caseiro e algumas passagens podem fazer lembrar algo saído do mais recente trabalho de Sacred Son. Mas enquanto esse fananico anda a brincar às capas hilariantes e a deixar ser essa gimmick o que mais se destaque, nos Dreams of Doom, tudo se completa, tudo encaixa, desde a imagem à música, àquela assombrosa passagem de teclados de “Paths of Eternal Obscurity” e ao solo de guitarra quase de rock clássico perto do fim da mesma. O que não falta em “Symphony in a Profound Darkness” é genuinidade. E as emoções que Augusto Peixoto aqui descarrega são cruas e reais.


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