“In Somnolent Ruin” podia ser um álbum celebratório para os Draconian. Se existisse tal coisa no campo lexical que lhe associamos. Também podia ser um álbum algo descoordenado, às apalpadelas, com esforço para soarem a si próprios. Mas, como sempre faltou, e continua a faltar, um disco notoriamente fraco na discografia destes suecos, também não parece haver disso ainda.
O que pode originar essas duas coisas é o mesmo: uma reestruturação do alinhamento, frete pelo qual muitas bandas têm que passar. Novo guitarrista ritmo e novo baterista entram. Para um dos discos mais “riffados” no repertório dos Draconian, portanto parece que temos que lhes agradecer qualquer coisinha. E a parte celebratória é o regresso de Lisa Johansson à voz limpa. Puxa pela nostalgia daqueles discos clássicos (podemos dizer, sem alguma implicação de carga negativa, que foram o pique da banda), e traz tanto de conforto como de expectativa. Dentro do metal gótico mais carregado e arrastado como é o dos Draconian, Lisa não constava entre as que recorria a voz operática, preferia empregar docilidade às melodias. Já que os Draconian também foram sempre exemplares no que toca ao contraste entre o peso arrastado e funerário e melodias bem mais acessíveis, aproveitam esse destaque para voltarem a tornar isso um foco neste disco.
“In Somnolent Ruin” resgata muitos dos seus velhos hábitos e chegam-nos à frente. Não é um disco experimental, nem coisa que se pareça, usa os elementos que bem conhece, para a súplica desesperada de “The Monochrome Blade”, um raio de luz de “I Gave You Wings”, ou até para uma espécie de melodeath atmosférico que parecem desencantar em “Cold Heavens”. “In Somnolent Ruin” é um álbum que não deixa de ser atmosférico, mesmo que as guitarras, bem grosseiras e arrastadas, estejam na frente; e muito melódico, mesmo que a parte mais trevosa também esteja densa e Anders Jacobsson não fique ofuscado no dueto vocal. E, com isso tudo, e com o regresso de Lisa Johansson, também oferece um conforto que nem parece suposto para música desta categoria. Mas tardes chuvosas também podem ser muito agradáveis.