Não há pressa para os Dimmu Borgir. As fendas entre os discos vão aumentando e a banda norueguesa pouco preocupada com pressões. Quem já conquistou o que conquistou e também já alienou tantos, ao ponto de nem sempre serem dos mais respeitados entre os seus contemporâneos, por alguns fãs de cara mais cerrada, deve considerar que não precisa de editar com muita regularidade. E nem é mal pensado. Isso podia expor fragilidades. E “Grand Serpent Rising” é já o décimo disco de Shagrath, Silenoz e seleccionada companhia.
Falámos em fragilidades e, desde que se submeteram ao sinfónico e a produções mais arrojadas, que parecem ter ficado mais à vista. Como se tivessem ficado mais vulneráveis, quando por acaso ficaram mais fortes. As mesmas questões do costume estão sobre a mesa: a falta que ICS Vortex faz (sim, ainda dá falatório); a falta que poderia agora fazer Galder; a supremacia do sinfónico, se continua a ser em exagero; e o maior tabu de todos: se ainda resta algum black metal nisto. Para tratarmos, rapidamente, destes tópicos, podemos já avançar que a questão do Vortex já está superada (convém que esteja, para todos); a falta de Galder também não se sentiu tanto, com o trabalho mais centrado na dupla nuclear; e pronto, é capaz de continuar tudo muito over-the-top para o gosto de alguns, que procuram mais black metal, que volta a não abundar por aqui, mesmo que já seja mais resgatado. Não é um álbum de novos truques, mas agora também é a parte em que damos destaque a alguns pormenores que podem realmente diferir.
“Grand Serpent Rising” é, sem dúvida, uma obra muito melódica. Já eles andam nisso há muito tempo. Não é mais melódico que os anteriores. Mas é-o de uma forma algo diferente. Faz referências ao black metal melódico sueco, sim, mas não só. Podemos salientar alguns detalhes em concreto, como o solo de guitarra de “Repository of Divine Transmutation”, cuja referência directa será o heavy metal tradicional e hard rock; “Slik Minnes en Alkymyst” aproveita uma agora rara submissão à língua-mãe, para apresentarem do seu material mais folk; uns guinchinhos mais e “Phantom of the Antichrist” podia mesmo ser dos Cradle of Filth. Exemplos de faixas seguidas, ali no meio do disco, a sugerir que uma parte de interesse se encontra no seu miolo. De um disco extenso, que talvez possa sofrer com isso. Os problemas do costume. Umas gorduras a mais, que podiam ser cortadas, produção excessivamente polida, a mesma conversa de sempre. Não pode ofuscar o quão sólido e focado este disco é. E do mais interessante que os Dimmu Borgir desencantam em algum tempo.