Parece que todos aqueles que davam Devin Townsend como garantido, tinham agora um alarme, quando anunciou o hiato de um ano de afastamento dos palcos. Logo um músico tão irrequieto e omnipresente como ele. Terá sido um martírio a longa espera de… Dois anos, para ter Townsend de volta aos palcos e aos discos. Fá-lo com a grandiosa, ambiciosa e extravagante (adjectivos que, por esta altura, já serão banais para referir a ele) aventura “The Moth“, uma semi-novidade.
Semi-novidade, porque coloca em disco a rock opera introspectiva e orquestrada que levou a palcos em duas ocasiões, antes do hiato e, tratando-se da sua obra mais pessoal e ambiciosa, já andava a trabalhar nela há uns bons anos. Vale que uma semântica como “auto-indulgente” ou “pretensioso” até nem é assim tão ofensiva para referir a algo de Townsend, porque acaba por se aceitar e querer um pouquinho dessas coisas na sua excêntrica música mais fora da caixa. Que é o que pode ajudar a acompanhar este “The Moth”, que não é de digestão fácil e que, sem um acompanhamento atento à narrativa, pode perder-se facilmente nos ambientes, nos interlúdios e toda a sinfonia. Antes de ter desconsideração pelo álbum e considerar uma obra exageradamente “over the top” que se engole a si própria, temos que ter em conta a sua intenção. E que talvez o seu consumo deva ser feito de forma diferente dos anteriores discos mais convencionais. Dentro do que possa ser convencional no espectro Townsend.
É bem mais aconselhável deixar-se levar e imergir nesse ambiente grandioso que procura alternar com as passagens mais acolhedoras, umas destacadas pela orquestra, e as outras auxiliadas por um new age que Devin já explorou e ao qual recorre mais aqui. Também é aconselhável apreciar a qualidade das canções, mesmo que se pareçam esconder na vasta paisagem que é pintada neste “The Moth”, uma obra que se deve ouvir completa, e ficar deveras agradado com uma participação como a da freguesa habitual Anneke van Giersbergen, que nunca falha nem passa despercebida. Provavelmente também entra aquela aceitação de que isto pode ter sido bem mais fantástico ao vivo e que Devin fez este disco para si próprio. Não será dos seus álbuns mais revisitados (ou revisitáveis) mas, pela sua natureza, deve ser experienciado, pelo menos, uma vez. Um músico como Devin Townsend vai ter desses, sim.