Darkthrone

Astral Fortress
2022 | Peaceville Records | Black metal, Doom metal

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Mais uma espera curta – esta mais curta ainda – pelos maiores do black metal, praticamente os pais da sua onda, que até já devem achar que tolos são os que vão para a estrada dar concertos. É tempo que perdem sem gravar, se têm tanto disco bom dentro de si para deitar cá para fora. É uma maneira de começar pelo fim, mais ou menos: “Astral Fortress” é mais um dos grandes álbuns dos Darkthrone, numa discografia vasta e difícil de detectar as suas verdadeiras ovelhas negras, agora que já se pode dizer em voz alta o quão fantástica é a sua fase de crust punk.

A crueza de assinatura mantém-se, como sempre, mas é a única coisa. Ao longo da carreira, souberam sempre como se reinventar quando se fartaram de fazer o black metal na sua forma crua e escandalizaram muitos dos seus fãs mais puristas. Já foram ao heavy metal tradicional, ao punk, já foram ao doom, já foram à raíz de muita coisa. Bathory, adora-se sempre. E agora até andam mais abertos a rajadas de Celtic Frost. É tudo bom, pode vir de tudo. Mas há mais tributos em “Astral Fortress.” Mantém-se a abordagem ao doom Sabbathesco de “Eternal Hails……” mas vão mais longe ainda. Ou mais atrás ainda. A partir da caverna, ou floresta, ou o que preferirem, de onde debitam os seus riffs primitivos, presta-se homenagem ao rock. Ao hard rock na sua forma mais prototípica do metal. E saem assim umas manobras bem ousadas como uma abertura acústica num álbum de Darkthrone, os sintetizadores que fazem questão de voltar em “Stalagmite Necklace” e atrevem-se a experimentar fundir o black metal com prog rock, daquele bem setentista em “The Sea Beneath the Seas of the Sea.

Astral Fortress” é uma obra onde dá para apontar pormenores sem que seja uma futilidade. Mas não é uma necessidade, acaba por ter uma simplicidade que se justifica sozinha e as malhas estão lá, de assinatura reconhecível. Tem a seriedade que se sente na composição das músicas, com o espírito mais gozão da dupla em muitos dos títulos e na capa – há lá coisa mais black metal do que patinagem? E tem o constante olhar ao passado, às suas referências e até mesmo às suas origens. Com muito riff de black metal sem soar ao “Transilvanian Hunger” ou ao “A Blaze in the Northern Sky” e também passagens mais punk sem parecer algo do “The Cult Is Alive” ou do “F.O.A.D,” os Darkthrone também começam a olhar para si mesmos. Como se, ao lado, tivessem sempre um molhe de discos onde haja Celtic Frost, Bathory, Black Sabbath, Candlemass, Trouble, Manilla Road, e mais coisas variadas… Mas já começam a aparecer os seus próprios clássicos. Já se justifica. E o impressionante: praticamente qualquer um da vasta discografia serve!

Músicas em destaque:

Caravan of Broken Ghosts, Stalagmite Necklace, The Sea Beneath of the Seas

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Bathory, Celtic Frost, Immortal


sobre o autor

Christopher Monteiro

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