A compaixão dos Converge. Lá acharam que andavam a deixar-nos muito tempo à espera entre discos e, desta vez, bastaram uns quatro meses antes de termos mais um petardo. “Hum of Hurt” não é uma adenda, nem compila umas sobras que não couberam no “Love Is Not Enough”. É mais um álbum dos Converge, mais um daqueles de deixar tudo de pernas para o ar. E nós ainda a meio da arrumação do chiqueiro deixado pelo anterior.
O parentesco entre discos é evidente, como o é entre todos os álbuns, especialmente os “filhos” da “Jane Doe”. Mas “Hum of Hurt”, se é para ser alguma espécie de irmão gémeo do seu antecessor, tem mesmo uma personalidade diferente. Apresenta-se aparentemente mais despido aos primórdios, àquela agressividade primitiva, que não se serve só de velocidade. Continuam a existir aqui muitos números mais lentos ou midtempo, de um sludge ameaçador, e continuam a soar tão pesados como os temas velozes mais desenfreados. Nem muda a semântica que costumamos aplicar aos Converge, também estão aqui todas as experiências acabadas em “core”, antes de todas essas se terem tornado palavrões. Mas “Hum of Hurt” também parece ser mais inventivo e experimental do que “Love Is Not Enough”.
Parece que encontramos aqui uma contradição. Já nos estão aqui a trocar as voltas, como alguns dos seus riffs mais marados. Então é um disco mais cru, mas também mais complexo. Sim, essas coisas convivem. É cru a nível sonoro, é até onde leva o peso e os riffs, mas enquanto “Love Is Not Enough” talvez fosse mais directo, “Hum of Hurt” tem mais devaneios, mais desvios, mais mudanças de disposição pelo meio, mais experiências estilísticas, até mesmo mais oscilações de velocidade. E com tudo suficientemente bem feito para que coisas que soem a uns Melvins mais sérios e melancólicos, e outras que soem a uma banda de hardcore a rebentar com um palco, pareçam mesmo saídas do mesmo álbum. Para “Hum of Hurt”, quiseram mesmo proporcionar uma experiência completa, com mais qualquer coisa. E “Love Is Not Enough”, que foi o petardo que foi, afinal foi uma preparação e nem sabíamos.