Temos um novo disco de Combichrist e este soa à antiga! “The Venom in the Mouth of God” volta a despir-se à sua base industrial, deixando as guitarras mais contidas para apenas algumas faixas, e isso dá para celebração. Desengane-se quem acha que o problema foi a transição estilística. Muito fã, vindo de lados mais metálicos, que aprecie Combichrist, ficou desapontado com a “metalização” da sua sonoridade, que começaram com a banda sonora do videojogo “Devil May Cry”, o “No Redemption”, que até nem saiu nada mal. Tirou-lhes muita identidade e muito do encanto que fazia os Combichrist tão Combichrist.
Se calhar essa felicidade vai induzir-nos em erro ou causar-nos demasiado entusiasmo, sem espaço para a cautela que devemos ter com tudo. É que, afinal, “The Venom in the Mouth of God” é Combichrist de volta ao aggrotech, mas com pouco fogo. Batidas interessantes, bons momentos, é claro que o disco não está isento de malhas. Mas os Combichrist sempre foram das bandas mais in-your-face e violentas, mais pesadas que muito metal de guitarras distorcidas, só com as suas batidas. “Shut Up and Swallow”, “Enjoy the Abuse”, “This Shit Will Fuck You Up”, são apenas exemplos de coisas que eles nos exclamavam. Isso ainda sem falar das músicas em si, porque não há mesmo aqui qualquer indício de uma “Electrohead” que nos agarre pelos colarinhos e nos levante do chão. Tememos o maior sacrilégio: os Combichrist ficaram “soft”? Andy LaPlegua já é um homem de cinquenta anos, que passou por muita coisa na vida. É possível que hoje seja mais sereno e também é possível que isso já não seja tão compatível com a selvajaria rude e explícita dos Combichrist.
As guitarras e o metal lá entram e começam a marcar presença mais regular a partir do meio do disco. E até arrebita um pouco as coisas. Mas com uma “RISE” e uma “Venom” que são muito Rammstein para dizermos que sucedem por soarem mais à Combichrist. Já para não falar do riff da “Only Here for a Good Time”, que parece mesmo o da “Ich Tu Dir Weh” acelerado. Mas claro que há pontos de interesse. O melhor parece estar mesmo para o fim, como quem se estivesse a poupar para soltar a garra toda no final. “Second Ending (We Have Been Here Before)” é realmente do mais Combichrist na cave de um club gótico que fazem em anos. E também não vamos ser injustos, tornamos a reforçar que vão aparecendo boas malhas pelo meio e sabemos sempre quem está a tocar – “Desolation” e “S.T.F.U.” como exemplos de boa familiaridade. Mas temos que seleccionar. “The Venom in the Mouth of God” é mais um álbum de Combichrist demasiado misto. Cortava-se muita gordura, ou então reflectia-se se a banda não precisa de um descanso para recuperar aquela cólera, aquela pujança. Não é mau, mas deixa-nos com bem mais vontade de nos agarrar ao “What the Fuck Is Wrong with You People?” outra vez.