Chelsea Wolfe – She Reaches Out to She Reaches Out to She

por Christopher Monteiro
Ano 2024
Estilos Industrial, Darkwave, Trip hop, Electrónica
Editora Loma Vista Recordings
Destaques Whispers in the Echo Chamber, House of Self-Undoing, Eyes Like Nightshade
Chelsea Wolfe – She Reaches Out to She Reaches Out to She
9/10

Varia de fã para fã mas, mesmo assim, é difícil. Qual é o pico discográfico de Chelsea Wolfe, qual o seu melhor trabalho? A dificuldade em inseri-la numa cena em concreto também não ajuda, que quando parece que já lhe descobrimos as facetas todas, a camaleónica desencanta mais uma. Volta a fazê-lo em “She Reaches Out to She Reaches Out to She.” Que vem seguir o quê? Uma fase em que editou um disco de folk puro, juntou-se aos Converge e integrou a banda sonora do filme “X.” Como raio se segue isso?

A Sra. Wolfe sabe. Com nova abordagem sonora, voltando-se para as camadas electrónicas e a tratá-las de uma forma que soe tão a Chelsea Wolfe, ao ponto de identificarmos logo que esta é a mesma pessoa que fez o pesadão “Abyss.” Pegando no industrial que sempre fez parte das suas preferências, podia apenas invocar o seu Trent Reznor interior, – e fá-lo – mas dá-lhe um tratamento demasiado próprio. “Whispers in the Echo Chamber” logo a abrir traz muito Portishead para nos prender a atenção para o que venha. E vem um disco de darkwave muito eclético, que traz tanto do inevitável lado gótico como de trip hop. Há realmente batidas que lembrem o imaginário de Tricky, uma melancolia à Radiohead e canções como “Everything Turns Blue” que, pela escuridão meia upbeat, devem habitar o mesmo bairro dos Depeche Mode. E tudo tem o ADN inconfundível da menina que fez os tão díspares “Pain Is Beauty” e “Hiss Spun,” só uns aninhos mais madura.

A forma como a ruidosa “Eyes Like Nightshade,” a suave mas alarmante “Salt,” talvez a mais bela canção que os Massive Attack nunca chegaram a fazer, e a sufocante e cinemática “Unseen World” estão seguidas no alinhamento, representa bem o disco e a carreira de Chelsea Wolfe. A sua adaptação, a forma como consegue fazer coisas tão diferentes de disco para disco. E dentro do álbum que tenha a sua identidade e fio condutor contínuo, consegue ter tanta coisa diferente na mesma. É criatividade e é cada vez mais sinónimo de Chelsea Wolfe. Novamente a expor as suas mais profundas emoções e a permitir-nos partilhá-las, assina mais um registo com pouco espaço para dúvidas sobre quem será a melhor cantautora por aí. É o seu melhor álbum, ou dos seus melhores? Lá está… Não fazemos ideia!


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