Décadas desde a fundação dos Booby Trap. Com a frescura de quem ainda dá aqueles passos iniciais, com vontade de conquistar terreno. Vemos muito os veteranos como conformados, e não como alguém ainda com a pica toda. Este “L(i)mbo”, ainda por cima, demorou pouquinho tempo a sair desde o “The End of Time”. Lá está, é a tal pica toda. Tem que ser estudado.

É thrash apunkalhado, punk mutante e metalizado, ou o que lhe queiram chamar, até mesmo crossover. Portanto as invenções já estão feitas, temos é que confiar neles para usarem as ferramentas certas e construirem algo demolidor. Portanto não é sítio para a procura de novidades ou surpresas. Contudo, acaba por haver uma na mesma. Pela primeira vez, optam pela língua portuguesa para a expulsão de cólera. Como quem quer que a mensagem de revolta fique mais perceptível e mais próxima de nós ainda. Porque isto é raiva que dá para partilhar. Com aquele tipo de temática que, infelizmente, nunca envelhece. Já felizmente, não é só isso que aqui se apresenta como algo capaz de resistir ao factor tempo.

A opção é por um thrash que sabe perfeitamente a igual importância que têm o metal e o punk, mantendo-se naquela margem (o limbo?) que afinal mal os separa. Podiam ser canções de dois minutos rapidamente cuspidos mas não. Sabem como se prolongar sem se esticar demasiado e sem fazer com que o impacto das malhas esteja demasiado dependente da sua imediatez. Não se sentem longas, nem por isso parecem menos exclamadas com uma agressividade que até nem parece vinda de uns tipos tão bem humorados. Aí sim, separam-se águas. Porque “L(i)mbo” é uma apresentação de questões que não sabemos se alguma vez terão resposta. Chega ao fim, com uma “Salvação” instrumental e, como uma calma depois da tempestade, que nos deixa a pensar se tal conceito ainda é possível. Quanto aos Booby Trap… Não precisam disso.


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