Bloody Hammers – The Summoning

por Christopher Monteiro
Ano 2019
Estilos Doom metal, Rock gótico
Editora Napalm Records
Destaques Let Sleeping Corpses Lie, Now the Screaming Starts, The Beast Is Coming Out
Bloody Hammers – The Summoning
9/10

Se os Bloody Hammers ainda passam ao lado de muito ouvido que encontra conforto no doom mais acessível e com uma névoa gótica, é uma pena. “Lovely Sort of Death” de 2016, com os seus refrães ridiculamente orelhudos – “Infinite Gaze to the Sun” arruma para um canto muito êxito de rádio – e um riffalhão bem posicionado sempre que preciso – o daquela “Ether” – fizeram desse disco um dos melhores do género em tempos recentes e criou bastante antecipação para este novo “The Summoning.

Felizmente, a dupla do talentoso Anders Manga e da esposa Devallia mantém a fórmula de sucesso e a adoração pelo terror clássico para prestar homenagens que permitem a escuridão na atmosfera das canções, que não deixam de ter uma brecha de luz nas tais melodias viciantes. A fórmula mantém-se mas sem ser uma saturação ou um “mais do mesmo,” com uma nova remessa de grandes canções que prendam a atenção neste disco, sem ter que se recorrer a audições do anterior por um bocado. É em momentos mais metalizado, pesado e até rápido que o seu antecessor, sem deixar de se banhar num sedutor ambiente gótico que deve às clássicas referências de há três décadas atrás e a um darkwave repleto de sintetizadores, ao qual Manga já habituou no seu trabalho a solo. E quando “Let Sleeping Corpses Lie” entra e “Now the Screaming Starts” segue, já se confirma que vem aí novo conjunto de temas pegajosos, prontos a ficar alojados no ouvido a longo prazo.

Há esse factor-chave, que aliado a certos ambientes e introduções, possa até fazer lembrar uns Ghost, – “The Summoning” – há uma melancolia em adoração a Type O Negative, – “The Beast Is Coming Out” – não podia deixar de haver o rock gótico clássico que remonte a uns Sisters of Mercy ou Bauhaus, – “Welcome to Darkness” – há uma rapidez apunkalhada que em nada soa deslocada, – “Fire in the Dark” e “Take That Witness Madness” – por vezes até só querem ser uma banda de rock descontraída, – “From Beyond the Grave” – e até uma perninha de Johnny Cash, que também é uma figura incontornável em tudo o que seja mais dark e melancólico, entra – “Condemned, the Prisoner.” Mas o mais importante de tudo é que há uns Bloody Hammers no topo da sua forma, sem desiludir após deixarem a fasquia bem alta. Muita audição repetida pede este “The Summoning” e o casal da Carolina do Norte já sabe como nos deixar a ansiar um sucessor.


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