Já a fazer um bom tempo desde que temos alguma novidade por parte dos True Widow, parece que já temos algo, pelo menos, relacionado, também pela mão da Relapse. Membros em comum, e ainda uma ruidosa vertente de um “slowcore” muito próprio é o que faz levantar algumas orelhas e voltá-las na direcção destes Bad Stuff, a apresentar esta auto-intitulada estreia. Há mais semelhanças e pontos em comum, mas não tantos. Há mais surpreendentes diferenças.
Apresentam-se com uma estética totalmente diferente da da anterior banda, e a sonoridade acompanha a estética. Vão à raiz do rock buscar o que mais precisam, e tratam-no como jovens niilistas que não viveram nesses tempos. Um rockabilly de tons góticos é a forma mais resumida de os descrever. Feito por malta que, ainda por cima, podemos assumir que deve gostar de Sonic Youth. Com punk, noise rock, psicadélico, garage rock deveras tão simplista na sua proximidade com o rock ‘n’ roll de raíz, um dream pop extrateressestre, e mais algumas coisas acabadas em “gaze”, para completarmos a procura por termos do dicionário desta trapaça, coisas que reconhecemos mas que não denunciam, de imediato, ao que soam os Bad Stuff. Porque vêm mesmo para surpreender. Sem estribeiras, mas também sem necessidade de fugir para muito longe.
Voltamos mesmo à tal ideia dos “rockabillies góticos” e a partir daí podemos partir para a exploração e descobrir como poderá vir a moldar-se o universo dos Bad Stuff, se será tão tongue-in-cheek como o visual sugere, se tem tanta seriedade como parece haver em algumas das letras, ou se têm a sua própria abordagem ao cinismo, da mesma forma que parecem ter com a música. Tem duas duras missões: acalmar quem está nervoso com o paradeiro desconhecido dos True Widow, sugerindo aqui um novo capítulo, mas com elementos familiares; fazer isto crescer e não ficar como uma gimmick para um álbum “one off”. Para já, “Bad Stuff” é um disco curioso, a descobrir, e a deixar tantas questões sobre a mesa quanto bons momentos, boas canções e novas propostas.