Dois pesos chatos que o heavy metal na sua forma mais tradicional e melódica carrega: o que o termo “power metal” já implica, há um tempo. Já tão regado de excessos que, por vezes, lá temos que acrescentar o prefixo “US”, com algum embaraço, para tentar distinguir e realçar-lhe qualidades. Outro é a inevitável fase de baixa inspiração que bandas de longa data têm. Praticamente todas têm ali a sua fase negra, de desinspiração e irrelevância.
E temos os Armored Saint que, com o seu heavy metal fiel à raíz, anexou-se logo ao power metal americano mais rude, e nunca precisou de muita coisa para evitar associações a outros movimentos mais infames. E, com um hiato pelo meio, e alguns lançamentos mais esporádicos, conseguiram avançar a fase negra e até há uma qualidade constante na sua discografia. Cria uma boa expectativa para “Emotion Factory Reset”, já o nono álbum, correspondida nas primeiras faixas. Boas malhas de heavy metal assim simples, mas bom. Infelizmente, o “catch up” parece ser feito e o disco começa mesmo a perder gás antes de chegar a meio. Começam a abundar mais os temas pouco memoráveis, os refrães e riffs com pouca força, e até algumas experiências musicais questionáveis – se virem por aí a questionar porque é que “Buckeye” (talvez a piorzita de todo o conjunto) e “Ladders and Slides” são pós-grunge… Parece uma pergunta disparatada, mas tem alguma pertinência.
Infelizmente, chegamos ao fim da experiência com alguma desilusão e muitos pontos negativos a apontar. No geral, ficam mesmo a faltar canções mais eficazes, malhas verdadeiramente ditas; não se pedia uma reinvenção da roda, mas quando procuram alguma variedade, o tiro sai ao lado; e a voz de John Bush também parece começar a acusar algum envelhecimento e cansaço (e muitos lá pensarão que ainda bem que ele já não está nos Anthrax!). Até nem começou mal e, com o legado que antecede o disco, esperávamos mais uma chama com grandes labaredas e, no fim, só temos borralho. Aconteceu afinal. “Emotion Factory Reset” não é um álbum atroz, não deixa de ter os seus bons momentos e ainda boas canções, mas parece ser o primeiro ponto mais baixo numa discografia forte e consistente.