Archgoat – Nightbringer, Lightbringer

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Black/death metal
Editora Debemur Morti Productions
Destaques The Dawn to Armageddon, Keys of Hell and of Death, Obsidian Reflection of Anti-Light
Archgoat – Nightbringer, Lightbringer
8/10

Cinco anos depois de “Worship the Eternal Darkness”, devia haver muita luz ou lá o que era, que os Archgoat já estão de volta com “Nightbringer, Lightbringer”, mais uma descarga daquilo a que já há um tempo alguém decidiu chamar “war metal”. E o que muda neste blasfémico assalto? Nada, felizmente. A missa que se reza é exactamente a mesma e ainda bem.

Não há grande variação em relação aos já numerosos antecessores, mas não serão os Archgoat a banda a quem se peça isso. A tal fórmula do “war metal”, a forma como insere death metal no breu que é o black metal, com muito thrash à mistura, aquele movimento que também não tem assim tanta variedade cromática a nível estético, nessa não se mexe. E não soam a muitos outros. Muitos outros soam a Archgoat. Por alguma razão são a referência. Quando descobrimos mais uma banda que pratica isto pintado por números (expressão irónica, tal é o limite da palete de cores disto), que ouvimos, até gostamos do cagaçal que fazem e tal, e depois ouvimos mais umas duas ou três vezes, sem ficarmos deslumbrados… Quando a queremos recomendar, o mais certo é que recorramos ao “soa a Archgoat”. E por aí convence. Mesmo que Archgoat (e mais um punhado de grandes nomes, qualquer movimento tem que ter vários representantes) não se misture com esses todos, simplesmente porque fazem esta “mesma coisa” um pouquinho melhor e com a identidade bem à vista.

Portanto “Nightbringer, Lightbringer” corresponderá exactamente ao que vem no rótulo e o gosto está nas malhas novas. Que pareçam mexer qualquer coisinha, como aquele clímax melódico de “The Dawn to Armageddon”, vá, não é caso para alarme, não destoa. E segue-se a entrada desenfreada de “Iconoclasm the Nazarene”, mesmo à bruta, daquelas que até mal distinguirão de outras. Portanto está tudo bem. Os Archgoat apenas parecem ter-se focado um pouco mais na fracção black metal da sua fórmula e, com isso, até saem daqui alguns riffs bem jeitosos e memoráveis, e até uma surpreendente atmosfera quase à Burzum na faixa final. Mas é o chavascal do costume e até podem dar-se ao trabalho de colocar os crucifixos que tenham por perto na sua posição original. Mas isto vai rodar outra vez, com certeza, e lá vão todos tornar a virar.


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